“Enquanto for presidente não haverá privatização dos Correios”, diz Lula
O presidente atribuiu os prejuízos sucessivos na estatal à má gestão e minimizou o efeito da taxa das blusinhas no rombo da estatal
Em tom de conversa direta com jornalistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve firme o compromisso de que os Correios não serão privatizados enquanto durar o seu mandato. Ao mesmo tempo, sinalizou espaço para parcerias com o setor privado, desde que o controle público permaneça. Economia mista — com participação do Estado e de empresas privadas — foi apontada como caminho possível, sem abrir mão da gestão estatal da empresa.
No dia a dia, Lula explicou que a ideia é fortalecer a instituição por meio de alianças estratégicas, sem abdicar do papel público. Parcerias público-privadas aparecem como ferramenta para modernizar serviços, ampliar eficiência e manter a titularidade estatal, algo que ele reforçou ser essencial para a função social dos Correios.
O presidente também fez uma revisão histórica, lembrando que já se posicionou contra a privatização há décadas. “>Quando o Sarney era presidente e o ACM era ministro das Comunicações, eu já conversava com o ACM contra a privatização dos Correios<”, disse, destacando que a resistência à privatização vem de longa data. Para ele, o motivo central é simples: a crise atual da estatal é fruto de uma gestão equivocada ao longo dos anos.
Sobre o rombo financeiro, Lula atribuiu os prejuízos à má gestão e minimizou o peso de controvérsias recentes envolvendo a chamada “taxa das blusinhas”. Em resumo, ele afirmou que déficits recorrentes não podem se tornar normalidade para uma empresa pública: “Déficit permanente é sinal de gestão equivocada”, destacou. Segundo o presidente, uma estatal não pode apenas buscar lucro, mas precisa se manter equilibrada e responsável na aplicação de recursos.
Nesta linha, ele reforçou a expectativa de que a nova gestão apresente um balanço claro do que precisa ser feito para colocar os Correios nos trilhos. Vamos mudar os cargos que tiverem de ser mudados e indicar pessoas competentes para gerir os Correios, afirmou, apontando para ajustes na estrutura e na liderança como passos indispensáveis para a recuperação.
Entre as ações previstas, o presidente mencionou a necessidade de reavaliar a quantidade de agências pelo Brasil, avaliando de forma estratégica onde é essencial manter ou ampliar atendimento e onde é possível otimizar operações sem comprometer o serviço público. Ele destacou que se trata de um conjunto de medidas para entregar os Correios stronamente equilibrados e funcionalmente eficientes.
No balanço final, Lula reiterou a seriedade com que trata o tema: “Temos tempo para fazer e vamos fazer.” A ideia é avançar com responsabilidade, sem pressa que comprometa a qualidade do serviço, sempre lembrando que não há interesse em ver a estatal operando com prejuízo. No fim das contas, a mensagem é de que é possível modernizar sem abrir mão da presença pública.