Lula: fim da escala 6×1 sem redução de salário é demanda do povo
Com pronunciamento veiculado pela Rede Nacional de Rádio e Televisão, o presidente apresenta as principais mudanças esperadas para 2026, entre elas redução da jornada sem cortar remuneração e medidas econômicas de impacto social.
Em uma transmissão nacional transmitida na tarde desta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou que a redução da jornada de trabalho sem diminuição do salário é uma pauta que precisa virar realidade. Segundo ele, o fim da escala de trabalho 6×1 aparece como um dos motes centrais do governo para o próximo ano, acompanhado de um compromisso claro de ouvir o povo e transformar essa expectativa em política pública.
No tom de quem quer entender o cotidiano do brasileiro, Lula destacou que ninguém deve ser obrigado a trabalhar seis dias seguidos sem tempo suficiente para descansar, cuidar da casa, acompanhar a família e acompanhar o crescimento dos filhos. Além disso, ele ressaltou que o tempo de descanso é um direito essencial e urgente, algo que não pode ficar para trás diante de metas de crescimento econômico.
Para o governo, a pauta tem potencial de mobilizar sua base de apoio e, por isso, deve caminhar para votação já no próximo ano. No conteúdo, o Planalto também sinaliza que, no segundo semestre, o tema poderá ganhar relevância na comunicação da campanha, ao lado de propostas como a tarifa zero em transportes públicos.
O objetivo oficial é eliminar a escala 6×1 e estabelecer uma jornada de 40 horas semanais, reduzindo as atuais 44 horas previstas pela CLT. Junto a isso, o governo discute manter a consistência de direitos trabalhistas, ao mesmo tempo em que propõe a mudança estrutural para uma rotina de 5×2 — cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana —, com o objetivo de promover equilíbrio entre produção e vida pessoal.
No campo econômico, Lula reforçou a defesa de políticas que ampliem o poder de compra da população, citando a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil e destacando os benefícios que a medida pode trazer para milhões de famílias a partir de janeiro. A leitura é de que mais dinheiro no bolso ajuda a aquecer a economia, estimular consumo e promover inclusão social.
O pronunciamento também veio acompanhado de uma defesa veemente do combate à criminalidade. O presidente afirmou que a atuação da Polícia Federal tem mostrado resultados, inclusive ao chegar ao que chamou de andar de cima das organizações criminosas, deixando claro que fatores como dinheiro ou influência não vão impedir as investigações de avançar. Ele citou, ainda, a Operação Carbono Oculto como exemplo de ação eficiente no enfrentamento ao crime organizado, conectando a pauta de segurança com o discurso de uma gestão firme.
Além disso, Lula elogiou ações consideradas prioritárias para o dia a dia do cidadão, entre elas a ampliação de programas sociais e iniciativas como a CNH do Brasil, o Agora Tem Especialistas, o Pé-de-Meia, o Gás do Povo, o Luz do Povo, o Novo PAC, o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida e a Transposição do Rio São Francisco. Segundo ele, tais ações contribuíram para uma trajetória de melhoria econômica, incluindo uma das menores taxas de desemprego já registradas e o controle da inflação em patamares mais estáveis.
O tema também se conectou a uma visão sobre política externa. O presidente comentou a disputa de tarifas com o exterior, afirmando que houve resistência a pressões, com o Brasil buscando manter negociações que protejam empresas nacionais e empregos. Ainda que reconheça avanços, Lula insistiu que o país não tolera retrocessos e que a diplomacia continua sendo ferramenta central para ampliar mercados e defender interesses nacionais.
Paralelamente, o tom do pronunciamento retomou o foco em direitos das mulheres, com a defesa de um esforço conjunto envolvendo ministérios, instituições democráticas e sociedade civil para enfrentar a violência contra o sexo feminino. Em síntese, o recado é de que o governo pretende avançar em políticas de proteção e de promoção de igualdade, sem abrir mão de uma agenda de reformas que impactam o cotidiano do brasileiro.
Entre as reflexões do ano, Lula enfatizou a dimensão de conquistas que, em sua leitura, marcaram 2025 como um período de superação de adversidades e de avanços em diálogo, cooperação e construção de um Brasil mais conectado com as demandas populares. No encerramento, ele destacou a ideia de que, mesmo diante de desafios, o povo brasileiro emerge como protagonista de uma história de resistência, trabalho e esperança.
Enquanto o cenário se desenha, a agenda trazida pelo presidente aponta para um cronograma de mudanças que passam pelo trabalho, pela renda, pela segurança pública e pela relação do país com o mundo. No dia a dia, resta acompanhar como as propostas ganharão forma prática, quais detalhes de implementação serão discutidos no Congresso e que impactos reais terão sobre a vida de quem acorda cedo para trabalhar e sonhar com dias melhores.