Lula faz duro discurso na Colômbia e diz estar indignado com passividade da ONU sobre guerras
O presidente participa do Fórum Celac-África em Bogotá e volta a cobrar atuação das potências diante dos conflitos globais, além de defender o papel dos recursos minerais para o desenvolvimento de países em desenvolvimento.
Em Bogotá, durante o Fórum Celac-África, Lula da Silva apresentou grande parte de um pronunciamento pautado pela defesa dos povos latino-americanos e africanos, com momentos em que improvisou ao longo do discurso. Ele não poupou críticas ao Conselho de Segurança da ONU e à sua “passividade” diante das guerras que atravessam o planeta, afirmando estar indignado com a dificuldade de encontrar soluções concretas para os conflitos.
No tom de quem busca mudanças reais, o presidente afirmou que não basta discutir regras: é preciso agir. Em meio ao desabafo público, ele chegou a bater na mesa em alguns trechos e enfatizou que as potências não podem se achar donas de outros países, nem impor condições sem que haja consenso entre as nações afetadas. Além disso, questionou quando a comunidade internacional vai escolher caminhos que não passem pelo recurso à guerra.
Outro eixo do discurso girou em torno da exploração de minerais críticos: minerais estratégicos e terras raras são vistos por Lula como alavancas de desenvolvimento para países em desenvolvimento, desde que haja cooperação e controle local sobre os recursos. Em tom direto, ele apontou: “Depois de tudo o que levaram de nós, é hora de termos voz forte para não sermos apenas exportadores.” A defesa foi clara: a dependência absoluta não constrói futuro, e a parceria deve caminhar junto com a geração de valor nos territórios.
No deslocamento entre ideias, o presidente lembrou a necessidade de enfrentar os entraves que impedem o avanço de Cuba, Venezuela e outrosplayers no cenário internacional, deixando no ar a pergunta sobre como, no dia a dia, processos de decisão internacionais afetam a vida das pessoas comuns. Ele também ressaltou a importância de abrir espaço para a cooperação entre países detentores de recursos, como parte de uma transição econômica para baixo carbono.
Ao ampliar o foco, Lula ressaltou que a União Africana serve de inspiração para a integração regional e para políticas que favoreçam a institucionalidade frente a adversidades. Mesmo reconhecendo as políticas públicas de igualdade racial no Brasil, ele admitiu que o país ainda não pagou plenamente a dívida histórica com a África por séculos de escravidão. O recado, no fim das contas, é claro: a responsabilidade coletiva exige atitudes concretas para construir um futuro mais justo para todos.
- Crítica à atuação da ONU e do Conselho de Segurança
- Defesa de minerais críticos e terras raras como motor de desenvolvimento
- Chamada por cooperação regional e valorização de recursos nos territórios
- Reconhecimento da dívida histórica do Brasil com a África