Lula critica intervenção dos EUA na Venezuela; hemisfério é de todos

Ouvir esta notícia

Lula critica no NYT intervenção dos EUA na Venezuela e afirma que “hemisfério pertence a todos nós”

Para Lula, o futuro da Venezuela cabe aos venezuelanos, com um processo político liderado pela própria população

Em artigo publicado no The New York Times, o presidente Lula da Silva questiona a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela e aponta que a operação que resultou na captura do então chefe de Estado Nicolás Maduro representa mais um capítulo na erosão do direito internacional e da ordem multilateral. No texto, ele traz a ideia de que a estabilidade global fica em risco quando ações unilaterais viram norma e quando o uso explícito da força para resolver disputas se normaliza. Na prática, o brasileiro coloca a cooperação entre países como a linha que deve guiar as relações internacionais.

Além disso, Lula reforça que a atual crise sul-americana exige respostas conjugadas, com respeito às regras do jogo diplomático e à soberania de cada nação. “Somente juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós”, ele enfatiza, destacando que esse episódio marca a primeira ofensiva militar direta contra a região em mais de duas centenas de anos de independência.

No centro da reflexão, o futuro da Venezuela deve permanecer nas mãos do seu próprio povo, com um processo político liderado pelos venezuelanos. Sobre o episódio envolvendo Maduro, o ex-presidente brasileiro lembra que os EUA realizaram uma ofensiva e capturaram o líder venezuelano no começo do mês, com promessas de manter o controle por temporariamente, caso necessário, inclusive com o envio de forças. Essa leitura serve, segundo ele, para reforçar a importância de soluções políticas internas e do respeito à soberania.

No artigo, Lula também afirma que o governo brasileiro tem adotado um diálogo construtivo com os Estados Unidos, defendendo que cruzar esforços em torno de planos concretos de investimento, comércio e combate ao crime organizado é o caminho para avançar. De acordo com ele, a cooperação entre as nações, quando bem orientada, pode gerar resultados reais sem recorrer a pressões externas ou intervenções.

No fim das contas, a mensagem de Lula é clara: o percurso para a Venezuela e o conjunto do continente depende da participação ativa do seu povo, de processos democráticos internos bem estruturados e de uma ideia de convivência que respeite as diferenças — sem rupturas provocadas de fora. Trata-se de um convite à reflexão sobre como ler as relações internacionais no dia a dia, com responsabilidade e cuidado para que o diálogo não seja substituído pela força.

O que achou deste post?

Jornalista

Renata Oliveira

AO VIVO Sintonizando...