Lula acumula derrotas consecutivas

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Derrotas em série de Lula

Operação da PF, alívio a golpistas e acordo do Mercosul testam articulação do Planalto

No cenário político em ebulição, o dia a dia mostra uma dança entre avanços diplomáticos, investigações da Polícia Federal e ventos de atrito no Congresso. Ao vivo, o acordo entre Mercosul e União Europeia parece ganhar ritmo, mas os demais movimentos internos revelam uma sequência de derrotas para o governo em diferentes frentes, que exigem recalibração constante da agenda oficial.

Na manhã desta quinta-feira, a PF deflagrou uma operação que envolveu Adroaldo Portal, atual secretário-executivo do Ministério da Previdência, e apontou suspeitas de envolvimento do senador Weverton Rocha (PDT-MA) em esquema de fraudes no desvio de aposentadorias do INSS. O pedido de prisão chegou a ser negado pelo ministro André Mendonça, do STF, o que adiciona nuances ao desdobramento político. A ação suscitou apreensão em diferentes câmaras do parlamento, já de olho no conteúdo e na amplitude das investigações da PF.

O desdobramento não fica apenas no campo policial. O episódio ocorre num mês em que o Congresso tratou de temas sensíveis, incluindo a aprovação de um projeto que reduz penas de ex-presidente Jair Bolsonaro e de condenados na trama golpista, visto pela oposição como uma vitória da direita. Em meio a esse mosaico, a cobrança pela consistência entre governo, oposição e o próprio Legislativo fica mais presente do que nunca, influenciando o clima político no dia a dia.

Expectativas versus realidade. O presidente Lula indicou hoje que vetará o PL da dosimetria, o que acrescenta mais um ponto de desgaste político em uma semana já marcada por frustrações em várias frentes. Enquanto isso, o aceno de uma assinatura do acordo entre Mercosul e a União Europeia no próximo sábado permanecia como uma dúvida, com a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni chamando o acordo de “prematuro” e o presidente francês Emmanuel Macron já demonstrando resistência. Lula não recuou: ele ligou para Meloni no início da tarde para entender os próximos passos, e ambos aguardam um desfecho, com a decisão ainda em aberto ao fim de semana. A sensação é a de que mais uma vez há expectativa sobre a assinatura Mercosul-União Europeia, que pode não se materializar na prática.

Veto ao PL da dosimetria. A estratégia do veto tende a prolongar, no ano eleitoral, o atrito entre o Executivo e o Congresso. A decisão coloca nas mãos dos parlamentares a tarefa de manter ou não o texto já aprovado. A pauta expôs, mais uma vez, a pouca influência persistente dos ministros sobre as bancadas, mesmo após o presidente ter insistido para que titulares de pastas apresentassem posições claras contra o projeto. Enquanto isso, o plenário do Senado mostrou complexidade na votação, sinalizando que o tema continua vivo e sensível.

No acordo de procedimentos que facilitou a votação da dosimetria, o líder do governo na Casa, o senador Jaques Wagner (PT-BA), abriu mão de obstruir a votação em troca do compromisso de votar também o projeto que reduz em 10% parte dos benefícios fiscais de empresas — uma manobra para livrar o governo de cortes de ~R$ 20 bilhões no Orçamento. O texto, que seguirá para sanção presidencial, também eleva tributos sobre casas de apostas, fintechs e JCP (Juros sobre Capital Próprio).

Em meio a esse cenário, a titular da Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, denunciou que a decisão foi “um desrespeito à decisão do STF e um grave retrocesso na legislação que protege a democracia”. Já Jaques Wagner assumiu a responsabilidade pelo acordo com a oposição que viabilizou a votação da proposta. Mesmo com o veto elevando os ânimos, aliados esperam que o tema possa, de algum modo, repercutir de forma favorável ao governo em termos eleitorais, ao reforçar o discurso de defesa da democracia.

No âmbito interno, a gestão política também passa por mudanças. Em meio às melhores e piores notícias, o ministro do Turismo deixou o governo: Celso Sabino foi substituído por Gustavo Damião, filho do deputado Damião Feliciano (União-PB) e aliado próximo do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A troca é interpretada como um sinal de alinhamento entre Lula e Motta, diante dos desgaste recentes na relação entre o Planalto e o Congresso.

Na prática, o somatório desses movimentos mostra que o dia a dia político imprime ritmo diferente da promessa de um avanço rápido. Entre tensões, ajustes e negociações, o leitor comum pode sentir que a pauta pública não caminha em linha reta, mas continua a afetar a vida cotidiana — desde a economia doméstica até a confiança institucional. E fica a pergunta no ar: o que muda, de fato, para o cidadão comum, com cada decisão tomada no Palácio e no Parlamento?

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Jornalista

Ana Martins

Designer de interiores apaixonada por achados acessíveis. Adora transformar espaços sem estourar o orçamento e compartilhar cada descoberta.

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