Lucros no BCP ultrapassam os €1000 milhões
BCP apresenta lucros de mais de 1000 milhões de euros e uma rentabilidade de retorno para os acionistas de 14%, acima do alcançado em 2024. O banco liderado por Miguel Maya vai propor nova distribuição de resultados no período entre 2025 e 2028
O Banco Comercial Português (BCP) fechou 2025 com lucros consolidados de €1.018,8 milhões, uma elevação de 12,4% face ao ano anterior. Em território nacional, o lucro atingiu €869,4 milhões, crescendo 10,6%. O retorno sobre o capital (ROE) ficou em 14,1%, ligeiramente acima dos 13,8% de 2024. E não foi apenas o nosso mercado que puxou os números: as operações internacionais contribuíram com €292 milhões, mais 33% em relação a 2024, com especial destaque para o desempenho da Bank Millennium na Europa Central e oriental.
Cabe ainda mencionar que, na ótica de resultados, houve uma melhoria relevante no terreno dos custos e do crédito. O grupo assinala que a carteira de crédito e clientes totalizou cerca de €63 mil milhões, com Portugal a representar uma subida de 9,3% e o crédito às famílias a crescer 5,6% e às empresas até 7,5%, face ao ano de 2024. Nesse mesmo ano, os recursos de clientes chegaram aos €111,8 mil milhões, refletindo um aumento de 8,6%, com a operação doméstica a captar 6,5% a mais do que em 2024. No capítulo dos custos associados a ativos hipotecários em moeda CHF, o grupo refere uma redução expressiva de €322 milhões, ajudando a moderar o impacto global.
Ao nível da carteira de clientes, o presidente do BCP, Miguel Maya, destacou que existem mais de 7,3 milhões de clientes ativos, com 74% desse total a recorrer a serviços móveis, segmento que registou crescimento de 9,3%. Reconhece-se ainda que o crédito concedido cresce de forma generalizada, e a captação de recursos reforça a posição de liquidez da instituição. Os resultados reforçam a importância do «no dia a dia» para os clientes, que veem o banco como um aliado na gestão financeira, tanto na banca tradicional como nas plataformas digitais.
Entre os dados mais relevantes, destaca-se o reforço do contributo das comissões: os encargos com comissões líquidas atingiram €847,4 milhões, acima de 4,3% face a 2024. As comissões bancárias subiram 2,2%, chegando a €703,3 milhões, com Portugal a somar €626 milhões ( +5,6% ). A operação internacional manteve-se estável, em linha, com cerca de €221,4 milhões. Já as comissões associadas aos mercados financeiros aumentaram 15,7%, para €144,0 milhões.
- Margem financeira (juros cobrados vs. juros pagos) subiu 2,4% para €2,89 mil milhões, efeito que o banco atribui essencialmente ao contributo da atividade internacional. Em Portugal, a margem registou um aumento mais modesto de 0,2%, fixando-se em €1,3 mil milhões.
- Resultados com operações financeiras: €105,6 milhões, bem acima dos €5 milhões de 2024, impulsionados sobretudo pela menor pressão de custos na subsidiária polaca relacionada com a conversão de créditos hipotecários em CHF, fruto de acordos firmados com clientes.
- Em Portugal, os resultados em operações financeiras recuaram ligeiramente: €6,9 milhões no final de 2025, frente a €9,1 milhões em 2024.
Quanto à nova distribuição de dividendos, Miguel Maya adianta que o BCP vai propor, na Assembleia Geral de Acionistas, a distribuição de até 90% do resultado, mantendo uma linha de 50% de distribuição de dividendos. Em paralelo, deverá avançar um programa de recompra de ações que mira comprar ações equivalentes a 40% do resultado líquido anual de 2025. O banco também sublinha que o resultado por ação ficou em €0,66, o que representa um aumento de 14,3% face a 2024. O objetivo estratégico é fortalecer o engagement com os acionistas, assegurando a continuidade da valorização do acionista no dia a dia.
Para o conjunto de 2025, a previsão de distribuição de dividendos que ficará a cargo da AG, no início de maio, aponta para um montante total de €500 milhões, alinhado com a política vigente e com a projeção de que os dividendos referentes a 2025 se mantenham acima do patamar estimado. No balanço da gestão, Miguel Maya destaca a solidez do desempenho e a visão de futuro do grupo, que pretende manter o ritmo de crescimento apoiado pela sua base de clientes e pela diversificação internacional.
No fim das contas, o BCP apresenta números consolidados que reforçam a ideia de que o banco continua a surpreender pela consistência, apesar dos desafios de um panorama econômico global. E para quem olha para o investimento com olhos de leitor cauteloso, as indicações são positivas: lucros robustos, ROE sólido e uma estratégia de resultados que aposta na manutenção de dividendos e em mecanismos de recompra que tendem a entregar mais valor aos acionistas ao longo do tempo.