Kojima, criador de Metal Gear Solid, diz: inovar é essencial

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Hideo Kojima: mercado saturado de grandes projetos e a aposta criativa nos indies

O criador de Metal Gear Solid critica o status atual da indústria e aponta a força da produção independente

Não é de hoje que Hideo Kojima, criador de Metal Gear Solid e, mais recentemente, de Death Stranding, comenta sobre a indústria dos games. Em entrevista recente, ele apresenta uma leitura contundente: o mercado está saturado de projetos grandiosos, com orçamentos altíssimos e pouca inovação. Enquanto os blockbusters de alto custo dominam o cenário, demissões em massa e o fechamento de estúdios seguem aparecendo, e as propostas parecem girar em torno de fórmulas já batidas.

Na conversa com a SSENSE, o diretor não poupa palavras ao descrever a situação. Segundo ele, muitos títulos repetem visuais e sistemas, com uma linha de lançamento que mais parece uma repetição do que uma evolução real. Ele cita o Summer Games Fest 2025 como exemplo de uma apresentação em que grande parte do material parecia focado em monstros — alienígenas ou medievais — sem oferecer novidades que realmente agradem aos fãs. No dia a dia, Kojima defende que o setor precisa trazer algo verdadeiramente novo para manter a energia criativa acesa.

Por outro lado, o criador enxerga a criatividade pulsando entre os desenvolvedores independentes. Enquanto os estúdios com orçamentos astronômicos tendem a mirar na segurança, a cena indie tem entregue propostas mais ousadas e instigantes. A título pessoal, Kojima admite que joga apenas um jogo por ano, porque os videogames exigem tempo. Em vez de passar horas copiando fórmulas de jogos, ele afirma buscar inspiração na vida — cinema, livros, visitas a museus e encontros culturais — para criar obras que toquem a arte, e não apenas a mecânica de um título.

Nesse percurso, ele destaca a importância de referências que vão além da indústria de games. Cita Mamoru Oshii ( Ghost in the Shell) e Katsuhiro Otomo ( Akira) como exemplos de artistas que não se limitam ao conteúdo que produzem, buscando cinema europeu e outras expressões artísticas para enriquecerem suas criações.

Em termos técnicos, Kojima não poupa críticas: ele lembra como foi desapontado durante uma visita a um grande estúdio, onde ajudava a orientar um jogo de furtividade e percebeu a falta de aprofundamento em aspectos práticos. Segundo ele, quem desenvolve jogos com temática militar nem sempre domina desmontar uma arma ou atirar com realismo, o que, para o diretor, é uma falha fundamental.

Com Death Stranding 2: On the Beach recém-lançado, fica claro que Kojima prefere apostar na experimentação autoral, mesmo que isso divida opiniões. Além disso, a empresa dele trabalha em OD: Knock, parceria com o Xbox Game Studios, e em Physint, um exclusivo de PlayStation que, em suas palavras, funciona como o seu novo metal gear solid em termos de visão e ambição criativa.

Em resumo, a visão de Kojima aponta para uma indústria que precisa renovar seus pilares criativos. No fim das contas, o fã fica com a reflexão sobre o que realmente move o universo dos jogos: a segurança de fórmulas consagradas ou a coragem de explorar propostas autorais, que tragam arte, surpresa e transformação para o meio.

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Jornalista

Fernanda Costa

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