Após adiar estreia no RJ, Keeta demite funcionários
Movimento foi confirmado pela chinesa, que garante realocação de postos de trabalho para SP
A Keeta, app de delivery pertencente ao grupo Meituan, confirmou cortes de funcionários no Rio de Janeiro logo após anunciar o adiamento da sua estreia na cidade. Em nota oficial, a empresa informou que parte dos postos será transferida para o Estado de São Paulo, onde a operação já está em funcionamento desde o fim de 2025. Apesar dos ajustes, a Keeta destacou que os cortes representam uma parcela menor do quadro e que a maioria dos empregos continuará intacta, apenas migrando para a base paulista.
A decisão de reconfigurar a equipe não acontece ao acaso. Em meio ao processo de adaptação regulatória, a empresa optou por manter operações em São Paulo antes de avançar para outras regiões, sinalizando que o caminho para uma expansão mais ampla passa por resolver entraves que atrapalham a concorrência saudável no segmento de delivery no Brasil.
Além disso, a Keeta reforçou um ponto central do impasse: contratos de exclusividade entre restaurantes e plataformas concorrentes. Em especial, a companhia citou cláusulas com os rivais iFood e 99Food, afirmando que tais acordos teriam tornad o inviável a operação carioca. O CEO Tony Qiu disse, em entrevista à Folha de S.Paulo, que levaria a questão ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). E, em nota publicada nesta quarta-feira (4), a Keeta repetiu a tese: cláusulas de exclusividade colocam em risco a livre concorrência, não só no delivery, mas em diversas indústrias, limitando a liberdade de escolha e afetando empregos e parcerias comerciais.
Do outro lado, o iFood rebateu o posicionamento da concorrente. Em nota, ressaltou que os contratos de exclusividade não atingem outros players que continuam investindo na cidade e expandindo suas operações, o que, na visão da companhia, aponta para uma visão divergente sobre o cenário competitivo.
No âmbito de estratégia e expansão, a Keeta não adiou apenas a chegada ao Rio de Janeiro. A companhia optou por consolidar sua atuação em São Paulo, preparando o terreno para avançar a partir de questões regulatórias e estruturais. A empresa enfatizou a intenção de resolver entraves que inibem a concorrência saudável no delivery brasileiro, sem abandonar o compromisso de ampliar a presença no país nos próximos anos.
Mesmo diante dos ajustes, a empresa manteve o plano de investimento anunciado no ano passado: R$ 5,6 bilhões no Brasil ao longo de cinco anos. A meta de expansão permanece como referência para a estratégia de longo prazo, mesmo que a implementação encontre percalços no curto prazo.
Na esteira das decisões corporativas, a Meituan também vivenciou turbulência no segmento financeiro. Na terça-feira (3), a nota de crédito da empresa foi rebaixada pela S&P Global, de A- para BBB+. Entre as justificativas, a agência cita a intensa concorrência com o Alibaba na China e uma espécie de freio na expansão no Brasil, que pode frear o ritmo de entrada da companhia no mercado brasileiro enquanto o negócio de entrega de alimentos na China oscila até ganhar tração estável. Em síntese, o cenário global sugere que a expansão brasileira deve caminhar com cautela até que o equilíbrio no principal mercado da empresa se consolide.