Itamaraty reforça na Celac preocupação com captura de Maduro na Venezuela
Ministro das Relações Exteriores repete posicionamento de Lula em encontro de líderes latino-americanos e caribenhos
Itamaraty abriu o papo com tom firme neste fim de semana, reafirmando a preocupação brasileira com a hipótese de a prisão de Nicolás Maduro ocorrer em território venezuelano. A posição foi apresentada durante a reunião da CELAC, convocada para discutir o empasse envolvendo o ataque militar dos Estados Unidos contra a Venezuela. O discurso ficou a cargo do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, acompanhando a linha traçada pelo presidente Lula no dia anterior, quando classificou a prisão de Maduro como uma afronta gravíssima à soberania venezuelana e um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
No tom da reunião, Vieira destacou que as ações norte‑americanas desafiam princípios fundamentais do direito internacional, especialmente a proibição do uso da força, o respeito à soberania e à integridade territorial, valores consagrados na Carta das Nações Unidas. A posição do Brasil foi alinhada a uma nota conjunta do Itamaraty publicada em parceria com Espanha, México, Chile, Colômbia e Uruguai.
Até o momento, entretanto, não houve um posicionamento oficial do grupo sobre próximos passos ou sobre o saldo da reunião, que não contou com consenso total. A CELAC congrega diversos países da América do Sul e do Caribe, entre eles:
- Na América do Sul: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.
- Na prática central e caribenha: Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Costa Rica, Cuba, Dominica, El Salvador, Granada, Guatemala, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, República Dominicana, Santa Lúcia, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas e Trinidad e Tobago.
A reunião tinha justamente o objetivo de consolidar um posicionamento comum entre as nações da região e, ao mesmo tempo, levar demandas ao encontro de emergência do Conselho de Segurança da ONU, convocado para tratar o ataque dos EUA contra a Venezuela.
No cenário político mais amplo, o sábado também deixou claro o tom que as lideranças vêm adotando. Lula ressaltou que as ações em questão ultrapassaram limites e representam uma afronta gravíssima à soberania venezuelana, abrindo um precedente perigoso para toda a comunidade internacional. Segundo o presidente, atacar países em clara violação do direito internacional aponta para um mundo de violência e instabilidade, onde a lei do mais forte tende a sobressair. O Brasil, repetiu ele, condena tais atos e se coloca à disposição para promover o diálogo e a cooperação, fortalecendo a via da diplomacia como caminho para a paz regional.
No balanço final, a expectativa é de que a comunidade internacional responda de forma firme, mantendo o Brasil pronto para atuar na linha do diálogo e da cooperação, com a visão de manter a região como zona de paz e estabilidade.