Presidente interina da Venezuela demite poderoso ministro da Defesa, aliado de Maduro
Vladimir Padrino López havia se tornado o eixo militar sobre o qual repousava a continuidade do chavismo após a captura do ex-ditador pelos EUA
Em 18 de março de 2026, a Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, anunciou a demissão de Vladimir Padrino López, ministro da Defesa por mais de uma década e pilar da articulação militar do chavismo. A medida sinaliza uma reconfiguração no topo das Forças Armadas, que sempre desempenharam papel central na persistência do movimento político desde os primeiros dias do governo de Hugo Chávez.
A demissão ocorre poucos dias após a captura do ex-líder Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, e coloca em foco o papel de Padrino López como o elo que manteve a coesão das Forças Armadas em meio às mudanças de poder. Com a saída dele, a leitura principal é de que o governo interino busca uma reorganização que preserve a lealdade militar ao novo curso político.
Quem assume o posto é Gustavo González López, já visto como alguém estratégico dentro do aparato de segurança. Ele havia sido designado recentemente para chefiar a guarda presidencial e a direção de contrainteligência, funções que o colocam na linha de frente de uma nova fase de comando e controle.
No panorama brasileiro de bastidores, as Forças Armadas continuam sendo um pilar estrutural do chavismo. Além da defesa, o aparato militar detém influência sobre setores como mineração, petróleo e distribuição de alimentos, além de aduanas e ministérios-chave. No dia a dia, esses corredores de poder moldam políticas, contratos e diretrizes que impactam a vida econômica e social do país.
Padrino López, aos 62 anos, esteve no cargo desde 2014 e era visto como uma ponte entre os anos dourados do chavismo e a atual administração. Amigo próximo de Chávez — eles se conheceram ainda nos quartéis —, Padrino participou do golpe de Estado frustrado de 1992, quando chefiava o Batalhão Bolivar de Caracas. Anos depois, durante o retorno de Chávez ao poder em 2002, ele foi peça-chave para devolver o líder a Miraflores e, mais tarde, consolidar sua posição no Exército. Em 2012, foi nomeado segundo comandante do Exército e chefe do Estado-Maior, a partir de onde ampliou sua influência e se tornou um ator central na continuidade do projeto chavista. Sob Maduro, ampliou ainda mais seu papel como ministro da Defesa, fortalecendo o apoio militar ao governo, mesmo diante de tensões e pressões externas. Sua relevância após o ataque americano a Caracas parecia ter o objetivo de conter possíveis dissidências internas da FANB, preservando a coesão das Forças Armadas em tempos de incerteza.
O movimento de Delcy Rodríguez pode ser visto como uma tentativa de consolidar lealdades dentro do aparato militar e de sinalizar ao conjunto político que o poder pode passar por mudanças sem abrir fissuras. No fim das contas, a demissão de Padrino López traz à tona a pergunta: o que muda na prática para quem depende da estabilidade pública e da distribuição de bens e serviços? A expectativa fica de como Gustavo González López vai conduzir o Ministério da Defesa e quais desdobramentos isso terá para as políticas de segurança e para o equilíbrio de forças no país.