Instagram de Lula tornou-se peça-chave na tentativa de reeleição

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Instagram de Lula tornou-se peça-chave para a sua tentativa de reeleição

Descrição: Análise sobre o papel estratégico do Instagram na campanha de Lula para a reeleição, destacando publicações, engajamento e impactos políticos da plataforma.

Se o WhatsApp foi decisivo para a vitória de Jair Bolsonaro em 2018, o Instagram tem assumido, na prática, o mesmo peso estratégico para Lula na corrida pela reeleição em 2026. Em um momento em que as imagens pesam mais do que os textos na construção do simbólico da política, o petista mostra resultados relevantes na plataforma, apontando uma tendência de uso da rede para consolidar apoio e catalisar narrativas.

A foto em que Lula aparece descontraído ao lado do ex-jogador Ronaldo e do ministro Alexandre de Moraes, durante o lançamento do SBT News, em São Paulo, na última sexta-feira (12), já soma mais de 7 milhões de visualizações, 624 mil curtidas e 85 mil compartilhamentos. A imagem é de Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial do presidente, que também gerencia a conta do líder petista no Instagram. Um retrato que traduz, de forma simples, a presença de Lula em momentos institucionais e de descontração, criando uma biblioteca de imagens que alimentam a narrativa da gestão diante do público.

Já a publicação que ocupa o posto de recorde de audiência, é o aperto de mão entre Lula e o presidente Donald Trump, registrado na cidade de Kuala Lumpur, na Malásia, novamente sob a curadoria de Stuckert. Publicada em 26 de outubro, a postagem acumulou 21,5 milhões de visualizações, mais de 1 milhão de curtidas e 111 mil compartilhamentos, simbolizando aos olhos do eleitorado brasileiro uma virada nas relações entre Brasil e EUA. A circulação dessa imagem refletiu uma leitura de mudança de tom nas relações internacionais, em meio a tensões que já vinham se desenhando há tempos.

Não é, contudo, a imagem com maior audiência, porque o card publicado em 10 de julho com a mensagem “Brasil Soberano – O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém” ficou marcado em termos de impacto. A postagem ocorreu um dia depois de Trump anunciar tarifas de 50% sobre as importações brasileiras, colocando em risco empresas e empregos. Esse movimento sinalizou uma virada discursiva no Instagram, em que o governo passou a adotar um tom mais nacionalista e a apresentar uma linha de defesa de soberania econômica e institucional.

Na prática, o governo Lula passou a defender uma leitura em que o clã Bolsonaro atuou como traidor da pátria ao incentivar sanções, ao mesmo tempo em que o foco era mostrar que o brasileiro comum estaria do lado do país. Em uma conversa por áudio divulgada pela Polícia Federal, o pastor Silas Malafaia comentou que o eixo nacionalista poderia, na visão dele, favorecer uma leitura distinta da política nacional, reforçando a tensão entre setores que tentam moldar a narrativa pública pelas redes. Nesse conjunto, as imagens ocupam lugar central na construção de identidade visual do momento.

Enquanto o bolsonarismo estendia bandeiras dos EUA em manifestações como o 7 de setembro, em referência à questão externa, Lula apostou no arsenal patriótico não apenas nos desfiles que conduziu em Brasília, mas também em uma estratégia de conteúdo visual que utilizou o Instagram como vitrine para mensagens de pertencimento e de defesa de interesses nacionais. No dia a dia, a comunicação passou a se apoiar menos em textos longos e mais em símbolos, momentos institucionais e captions que reforçam uma ideia de unidade em torno de projetos de governo.

O efeito dessa relação entre imagem e narrativa não se resume a números. O governo de Lula continua tentando recuperar a popularidade e consolidar apoio para decisões que impactam a gestão pública, e a forma como essa narrativa foi vendida ao público ajudou a consolidar pontos de aprovação e de intenção de voto. Em um momento em que os Estados Unidos reforçam posições estratégicas, a retirada de sanções da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes é lembrada como um marco que também dialoga com a comunicação pública, orientando a leitura de que a plataforma não é apenas vitrine, mas um campo de disputa de percepções. O petista mantém, por outro lado, a maior base de seguidores em números absolutos entre os líderes da América Latina, com 14,2 milhões de seguidores na plataforma, o que ajuda a ampliar o alcance de suas mensagens.

Fecham os cinco mais: Nayib Bukele (El Salvador) com 10,8 milhões, Javier Milei (Argentina) com 6,1 milhões, Claudia Sheinbaum (México) com 2,8 milhões e Nicolás Maduro (Venezuela) com 2,2 milhões. Os números não são apenas estatísticas: representam como o Instagram se tornou um componente essencial para entender a leitura de protagonismo político na região, onde as plataformas de redes sociais ajudam a moldar a percepção pública de líderes, governos e crises que atravessam fronteiras.

E você, como percebe o papel das imagens na política atual? No fim das contas, a pergunta que fica é: até que ponto as redes vão influenciar decisões de voto e o desempenho de governo no cotidiano das pessoas?

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Jornalista

Ana Martins

Designer de interiores apaixonada por achados acessíveis. Adora transformar espaços sem estourar o orçamento e compartilhar cada descoberta.

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