Cúpula de IA na Índia reunirá CEOs e autoridades; Lula participa
Evento internacional de tecnologia, políticas públicas e cooperação em IA será realizado em Nova Délhi entre 16 e 20 de dezembro, com a participação de líderes globais e de grandes nomes do setor.
Nova Délhi se transforma, a partir desta segunda-feira, no centro mundial da inteligência artificial. A Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial 2026 marca a primeira grande reunião internacional sobre IA no Sul Global, reunindo por cinco dias autoridades, executivos de tecnologia, pesquisadores e membros da sociedade civil para debater o futuro dessa tecnologia que já invade o dia a dia das pessoas. Entre as autoridades presentes estarão Lula da Silva, presidente do Brasil, ao lado de ministros; Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia; Emmanuel Macron, presidente da França; Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha; António Guterres, secretário-geral da ONU; além de delegações ministeriais de mais de 45 países. Do lado americano, a delegação será liderada por altos funcionários e líderes do setor.
Entre os nomes do mundo corporativo esperados estão Sam Altman, CEO da OpenAI; Sundar Pichai, CEO da Alphabet (controladora do Google); Dario Amodei, chefe da Anthropic; Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind. Um ausente de peso ganha atenção: Jensen Huang, CEO da NVIDIA, teria desistido de comparecer por imprevistos, segundo relatos da imprensa. No conjunto, o encontro promete painéis para discutir regulação, investimentos, governança de dados e o equilíbrio entre inovação e responsabilidade.
Este é o capítulo mais recente de uma série de encontros governamentais dedicados à IA. Edições anteriores ocorreram, com formatos distintos, no Reino Unido, na Coreia do Sul e na França. Na prática, a ideia é manter o debate em aberto sobre como países podem se posicionar na corrida tecnológica mundial. Em especial, o governo Modi tem trabalhado para que a Índia assuma o papel de protagonista, com planos ambiciosos para fortalecer a cadeia de produção tecnológica no país.
A aposta indiana envolve números expressivos no setor de semicondutores: o governo aprovou projetos que somam cerca de US$ 18 bilhões para ampliar a fabricação local. Além disso, há um esforço para aumentar a produção nacional e pressionar gigantes globais a they fabricar mais itens no território indiano, o que já é notado por analistas como uma estratégia para reduzir dependências internacionais. Em paralelo, o mercado financeiro demonstra otimismo: bolsas de valores indianas têm mostrado alta movimentação em ofertas públicas e os fundos de venture capital estão mirando em startups locais, reforçando a percepção de que o país atrai capital para o ecossistema de IA. E não faltam expectativas de anúncios de investimentos expressivos em infraestrutura de dados, como data centers, ao longo da semana.
Em termos de contexto bilateral, o jornal Folha de S.Paulo trouxe à tona uma parceria estratégica entre Brasil e Índia chamada Parceria Digital Brasil-Índia para o Futuro, que deverá ser anunciada ao fim de semana. O texto do acordo prevê um centro de excelência conjunto em infraestrutura pública, cooperação em identidade digital, pagamentos digitais e compartilhamento de dados, uma rede aberta de IA para ações climáticas em países em desenvolvimento, além da cooperação em IA na adoção e no desenvolvimento de grandes modelos de linguagem. Também está prevista uma parceria em semicondutores e acordos sobre governança de internet e inovação em IA, sempre com foco no respeito a direitos autorais.
Quem analisa o cenário aponta que o pano de fundo é evitar que o Sul Global fique para trás na corrida da IA. O governo brasileiro já deixou claro que essa é uma frente de desigualdade a ser combatida: a cadeia de IA – desde minerais até o software – não pode ampliar a distância entre países nem agravar disparidades dentro das nações. Em entrevista para a imprensa, Esther Dweck, ministra da Gestão e da Inovação, reiterou que é crucial debater quem produz a tecnologia, como ela é distribuída e como o Brasil se insere nesse ecossistema de forma diferenciada em relação a mudanças tecnológicas anteriores.
Na agenda de Lula, outro ponto de peso é a defesa da soberania brasileira para regular as grandes corporações do setor digital. O presidente brasileiro deve sustentar a necessidade de uma governança global da IA, buscando participação ativa na construção de regras que deem equilíbrio entre inovação, direitos e distribuição de benefícios. Em Nova Délhi, Lula participa da Cúpula na quinta-feira, dia 19, e, na sexta-feira, 20, o governo brasileiro organizará um evento paralelo intitulado “IA para o bem de todos”, voltado às perspectivas nacionais para o futuro da IA e com a presença de ministros de Estado responsáveis por Ciência, Tecnologia, Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Educação, Saúde e Comunicações. Além disso, no sábado (21), está prevista a reunião bilateral com Modi e o anúncio de, pelo menos, dez acordos bilaterais que deverão avançar a cooperação entre os dois países.
Outro tema em foco envolve minerais críticos. A imprensa brasileira sinaliza que o Brasil deve assinar um memorando de entendimento com a Índia para tratar de minerais como lítio, cobalto, níquel e terras raras, insumos estratégicos para defesa, tecnologia de ponta, baterias de veículos elétricos, painéis solares e componentes de semicondutores. Além de abrir oportunidades de investimentos, esse acordo aponta para o desenvolvimento interno, com o objetivo de processar os minerais no país, evitando transformar apenas a matéria-prima em mercadoria. A parceria com a Índia é particularmente relevante para reduzir a dependência de fornecedores como China e Estados Unidos, mantendo as reservas brasileiras entre as maiores do mundo. Nesse cenário, o governo destaca que o Brasil detém a segunda maior reserva global e que o acordo visa ganhos de industrialização e autonomia tecnológica, sem exclusividade tecnológica para terceiros.
Para quem acompanha o cotidiano do dia a dia, a notícia da semana sugere que as grandes mudanças da IA caminham de mãos dadas com decisões políticas, investimentos estratégicos e modelos de cooperação que envolvem bilhões de dólares em infraestrutura, pesquisa e capacitação. Em meio a cenas de conferência, reuniões bilaterais e anúncios de parcerias, fica claro que o debate sobre IA não é apenas sobre máquinas mais inteligentes, mas sobre quem a controla, como ela é distribuída e qual país liderará as próximas etapas dessa transformação global.
Destaques em perspectiva para esta semana em Nova Délhi incluem:
- Presença de líderes mundiais e de CEOs que moldam o investimento e a regulação da IA;
- Debates sobre governança global da IA e direito digital;
- Incentivos e acordos em mineração crítica e semicondutores;
- Parcerias entre Brasil e Índia para fortalecer infraestrutura pública e cooperação em IA;
- Movimentação de capital para projetos de data centers e inovação tecnológica.