Jeferson Miola: A obsessão da mídia em colocar Fábio Luís na CPMI do INSS e Lula no escândalo Master
Profissionalismo e método no criminoso jornalismo de guerra
É cada vez mais evidente como os grandes veículos de comunicação, de forma quase coordinada, buscam desgastar o governo e projetar Lula no centro das crises para tentar impactar sua reeleição. No dia a dia, a prática de jornalismo de guerra parece ter se tornado o fio condutor de uma narrativa que não mede esforços para associar o presidente a escândalos, mesmo quando os fatos não se alinham aos roteiros dos críticos. Nessa linha, a aposta editorial está em colocar Fábio Luís na CPMI do INSS e empurrar Lula para o epicentro do escândalo conhecido como Master.
Entre os recursos usados pela imprensa está a construção de identidades para protagonistas que não costumam receber o mesmo tratamento. Fábio Luís, que na família não recebe apelidos carinhosos ou reconhecimento de sobrenomes em bancadas de amigos, ganha na imprensa o apelido “Lulinha”. Enquanto isso, o filho mais famoso de Jair Bolsonaro não recebe o mesmo apelido completo — o que muitos interpretam como uma forma de amnésia jornalística que reforça uma narrativa seletiva. No dia a dia, a comparação não é apenas de estilo, mas de tratamento público entre figuras associadas a lados opostos do espectro político.
As coberturas ganham contornos ainda mais evidentes em programas de TV e nas manchetes que circulam nos jornais impressos. Em uma sequência marcada por insistência, uma jornalista da Globo News foi apontada como responsável por associar Fábio Luís a supostos desvios ligados ao INSS durante o programa Estúdio i, exibido em 18/3. O tom parece combinar elementos de dossier com uma exposição que, segundo críticos, ultrapassa limites de apuração para entrar na esfera filosófica da “confissão” pública, mesmo diante de notas de esclarecimento emitidas pela defesa, contestando as acusações.
No começo de março, quando surgiram vazamentos de dados considerados falhos e manipulados, os advogados de Fábio Luís emitiram uma nota esclarecendo que não havia movimentações relevantes conforme apontado. Ainda assim, no dia 6/3, as edições impressas de grandes veículos — incluindo um título da Folha de S. Paulo, do Estadão e do Valor Econômico, vinculadas a grandes grupos de mídia — destacaram manchetes insinuando que o “filho de Lula” havia movimentado quantias substanciais, algo na casa dos R$ 19,5 milhões em quatro anos. Na prática, a pauta parecia já ter ganhado um destino editorial: ligar o filho do presidente a operações financeiras de vulto para sustentar a narrativa do escândalo.
Na edição impressa de 18/3, a Folha de S. Paulo teve ainda mais protagonismo, estampando na capa uma acusação centrada no rótulo “Lulinha abre empresa de gaveta na Espanha” e dedicando duas páginas inteiras a uma reportagem sobre a suposta denúncia. Em termos práticos, o impacto se ampliou quando, a partir das 12h40 daquele dia, a versão online da mesma publicação mudou o foco para: “Presidente da CPMI do INSS cobra investigação sobre empresa de Lulinha na Espanha”. O caminho editorial, portanto, parecia traçado com o objetivo de colocar Lula no centro do escândalo Master, alimentando a percepção de uma conexão direta entre ele e atos investigados a partir de um núcleo oposicionista.
Além disso, a narrativa envolve redes políticas e econômicas que, segundo a leitura de quem acompanha o tema, se resolveram em uma maquinaria de comunicação que associa veículos de comunicação a operadores da oposição bolsonarista. Ao lado disso, o episódio é apresentado como um exemplo de que a imprensa, ao agir em conjunto com vocações políticas, transforma o jornalismo em uma ferramenta de guerra — com o objetivo maior de influenciar a opinião pública e tornar o tema central da disputa eleitoral. O que se observa, no fim das contas, é uma prática que busca o centro da crise para consolidar o ataque político e, por consequência, desafiar a imagem pública de Lula.
As narrativas descritas envolvem também outras figuras do cenário político e econômico, incluindo menções a redes que teriam apoiado campanhas de partidos de direita e da chamada nova direita, além de referências a eventos no exterior que ganharam moldura midiática. No centro dessa construção está o que muitos chamam de “Master”: uma história que, segundo a crítica, foi viabilizada em parte no período de atuação do governo anterior, com supostos apoios e estruturas que teriam garantido a circulação de recursos e apoio político a determinados nomes e bordas ideológicas.
No debate público, há quem considere esse tipo de cobertura uma forma de anti-jornalismo ou de jornalismo-lixo; por outro lado, há quem ressalte que há método e profissionalismo embutidos na prática, mesmo que a interpretação seja polêmica. O ponto-chave, segundo essa leitura, é que há uma articulação entre a mídia dominante e setores da oposição, com o objetivo explícito de desqualificar o governo atual ao empurrar Lula para o centro das crises. O desafio, para o leitor, é discernir entre apuração responsável e construção narrativa — e perguntar: qual é o real impacto dessas escolhas sobre a sua vida cotidiana?
No fim das contas, a discussão volta ao mesmo eixo: até onde a imprensa pode ir para influenciar o curso político do país sem perder a linha entre fato e interpretação? A resposta não é simples, mas é essencial para entender como a cobertura de política pode — ou não — favorecer uma visão mais equilibrada dos acontecimentos. E você, leitor, o que sente ao acompanhar esse jeitão de guerra narrativa que envolve famílias, cifras e instituições?