“Fico onde quiser, eu sou idoso”, diz homem após importunar torcedora do Fluminense
Durante o clássico no Maracanã, episódio de violência interrompeu a festa do futebol; vítima denuncia importunação sexual, homem é detido em flagrante e passa por custódia, com medidas cautelares anunciadas
No dia 8 de março, data em que o mundo celebra a luta das mulheres, o ambiente festivo do Maracanã ganhou contorno de drama quando uma torcedora do Fluminense relatou um episódio de violência durante o clássico contra o Flamengo. O fato envolve importunação sexual dentro do Setor Sul, que motivou a intervenção de seguranças e a ação da polícia. Segundo a vítima, o agressor invadiu o espaço físico entre as cadeiras e manteve contato não consentido ao longo da partida, gerando desconforto e tensão entre os presentes.
Ao confrontar o homem para interromper a invasão de espaço e o toque reiterado, a torcedora foi recebida com hostilidade. Conforme o relato, ele deixou claro que iria “ficar onde quiser, eu sou idoso” e, em seguida, empurrou-a com violência na região do seio. Diante da gravidade, a vítima procurou a equipe de segurança do estádio e, acompanhada de um amigo, dirigiu-se à unidade policial instalada dentro do complexo para registrar a ocorrência. A interrupção foi relevante o suficiente para que o jogo fosse interrompido por momentos durante o registro da ocorrência.
A Polícia Civil confirmou a autuação por meio de nota oficial da 18ª Delegacia de Polícia (Praça da Bandeira). O homem foi conduzido ao Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos (JETEG), onde foi autuado em flagrante pelo crime de importunação sexual, com base no artigo 215-A do Código Penal. Em audiência de custódia realizada dois dias depois, ele acabou liberado, seguindo sob medidas cautelares que incluem comparecimento periódico em juízo e a proibição de manter qualquer contato com a vítima ou de se ausentar da cidade sem autorização prévia.
Uma testemunha presente descreveu o comportamento do agressor durante o confronto. Segundo o relato, ele proferiu deboches ao ser confrontado, mencionando que o Estatuto do Idoso lhe dava permissão para agir daquela forma. Esse tom de deboche ganhou contorno de desrespeito não apenas com a vítima, mas com todas as pessoas que testemunharam o episódio, reforçando a importância de respostas rápidas em casos de violência nas arquibancadas.
A vítima manteve a escolha de preservar a identidade por razões de segurança e privacidade, e também manifestou o desejo de continuar com o processo judicial. Além de buscar responsabilização, ela espera que medidas administrativas sejam adotadas pelo clube e pelos órgãos competentes para que situações como essa não se repitam. No fim das contas, o caso reacende o debate sobre como melhorar o monitoramento, o acolhimento e a proteção às mulheres em grandes eventos esportivos no Brasil.
Para a torcedora, a esperança é de que a punição, aliada às medidas administrativas, funcione como exemplo para desencorajar condutas abusivas em futuros jogos no Maracanã. A vítima afirma que a obrigação de seguir com o processo e o reforço de políticas de combate à violência de gênero precisam caminhar lado a lado para que o público feminino possa frequentar estádios com mais tranquilidade e respeito.