Home office no Brasil: 65% trocariam de emprego para manter o remoto
Relatório aponta que 65% dos brasileiros trocariam de emprego para manter o home office, enquanto 80% das empresas planejam reduzir o remoto
Um levantamento lançado pela LiveCareer, plataforma global de desenvolvimento de carreira, chega a um retrato claro: o futuro do trabalho remoto no Brasil está em meio a um debate de interesses entre quem trabalha e quem lidera as empresas. Publicado em março de 2026, o estudo agrega dados de instituições como FIA, FEA-USP, IBGE, Ipea, KPMG, GPTW, Korn Ferry e Randstad para oferecer uma visão atualizada, cinco anos após a pandemia transformar a rotina corporativa.
No campo dos trabalhadores, a flexibilidade deixou de ser um benefício suplementar para se tornar um critério decisivo na escolha de vagas. 65% dos profissionales afirmam que aceitariam trocar de emprego para manter o home office, enquanto as empresas sinalizam um movimento contrário: 80% pretendem reduzir ou encerrar o remoto. No conjunto, o cenário aponta para um emparelhamento difícil entre desejo individual e ralação corporativa.
No dia a dia, os números que reforçam esse choque são expressivos. Entre quem já experimenta o home office, 94% relatam melhoria na qualidade de vida, 91% dizem que a produtividade é igual ou superior em casa e 88% sustentam que a qualidade do trabalho não cai no ambiente doméstico. Entre os fatores mais valorizados, destacam-se a redução do tempo de deslocamento, a autonomia para gerir a rotina e o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Aliás, esse último item já supera o salário como principal motivador de carreira, segundo o Workmonitor 2025 da Randstad.
Quando o assunto é tomada de decisão, a flexibilidade também pesa no movimento de carreira. A proporção de trabalhadores que pediram demissão por falta de opções flexíveis cresceu de 25% para 31% em apenas um ano, com força maior entre a Geração Z e os Millennials e, dentro das áreas, no setor de tecnologia da informação.
Do lado das organizações, a história mostra outra direção: em 2025, a maioria das empresas já voltava ao presencial. Segundo o GPTW, 51% atuam de forma integralmente presencial, 41% adotam o modelo híbrido e apenas 9% mantêm equipes totalmente remotas. Os líderes justificam a escolha pela necessidade de fortalecer a cultura organizacional (mencionada por 63% das pesquisas) e pela melhoria da colaboração entre equipes. Ainda assim, os custos aparecem de frente: 49% apontam o tempo de deslocamento como entrave ao retorno, 45% se preocupam com a atração e retenção de talentos e 28% já avaliam políticas para nômades digitais. O reflexo direto desse movimento é que 41% das empresas já enfrentam dificuldades para contratar profissionais qualificados após reduzir as políticas de home office, segundo a Korn Ferry.
Mas qual é o tamanho real do home office no Brasil? O que se vê é um cenário ainda minoritário, apesar do debate intenso. O IBGE aponta que 9,5 milhões de brasileiros trabalham em regime remoto, o equivalente a cerca de 10% da força de trabalho. A Ipea, por sua vez, estima que 22,7% das ocupações no país — mais de 20 milhões de postos — poderiam ser exercidas à distância, revelando um potencial represado significativo. Na prática, porém, 88% das vagas abertas seguem sendo presenciais, de acordo com a Gupy. O modelo híbrido é o mais dinâmico: cresceu cinco vezes em um ano e já representa 11% das contratações, superando as vagas inteiramente remotas. Entre os setores com maior concentração de vagas flexíveis, estão Tecnologia da Informação, Marketing e Comunicação, bem como Finanças e Contabilidade, atuando como referência para novos formatos de trabalho em outras áreas.
No fim das contas, a leitura não é simples nem reduzida. Trata-se de um momento de transição em que flexibilizar o trabalho remoto parece ter impactos reais em salários, cultura, recrutamento e produtividade. E você, como tem vivido essa mudança no seu dia a dia profissional?