Havana afirma que 32 cubanos, entre eles militares, morreram em ataque americano na Venezuela
Segundo o governo cubano, as vítimas tinham missão em representação das Forças Armadas Revolucionárias e do Ministério do Interior durante a operação ordenada por Washington
Uma ofensiva lançada por forças dos Estados Unidos na Venezuela, na madrugada de sábado, provocou uma onda de desdobramentos e declarações oficiais sobre mortes de cidadãos cubanos. O governo de Cuba informou que 32 de seus cidadãos perderam a vida durante a operação, que também resultou na detenção do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A notícia chegou como parte de uma cobertura em tempo real sobre a situação venezuelana e o desmembramento de Maduro em Nova York.
Conforme o texto oficial, as vítimas “cumpriam missões em representação das Forças Armadas Revolucionárias e do Ministério do Interior,” a pedido de órgãos homólogos da Venezuela. Em tom de celebração de dever cívico, o governo cubano afirmou que, fiéis às suas responsabilidades com a segurança e a defesa, os compatriotas teriam cumprido o seu trabalho com dignidade e, em combate direto contra os atacantes ou como consequência dos bombardeios às instalações, tombando em defesa da pátria.
Logo após os acontecimentos, Díaz-Canel decretou dois dias de luto pela morte de seus cidadãos, associando o luto à operação norte-americana que levou à transferência de Maduro e de sua esposa para Nova York. Nessa cidade, o presidente venezuelano e a primeira-dama devem responder a acusações de narcoterrorismo diante de um juiz na segunda-feira.
Antes mesmo da divulgação, o ministro da Defesa da Venezuela, o general Vladimir Padrino López, havia informado que a maior parte da escolta que protegia Maduro foi “assassinada a sangue frio” por militares americanos que teriam capturado o governante e a esposa. Em seu pronunciamento, a defesa venezuelana repudiou o que chamou de sequestro, afirmando que Maduro é o líder constitucional do país e que sua família também foi alvo da ação.
Apesar das declarações, não houve, até o momento, um balanço oficial claro sobre número de mortos ou feridos decorrentes dos bombardeios em instalações venezuelanas, tanto na capital quanto em outros estados. Enquanto isso, relatos paralelos surgiram: veículos locais, como Tal Cual, reportaram ao menos 25 mortes, com atribuições a uma unidade de proteção presidencial; já o The New York Times citou autoridades venezuelanas que pediram anonimato e apontou possível número de 80 vítimas. A BBC News Mundo tentou obter informações oficiais, sem sucesso, junto a Ministérios e instituições envolvidas.
No pronunciamento de Padrino López, ficou claro o tom de resistência da Venezuela diante do que chamou de agressão brutal contra a soberania nacional e o sequestro de Maduro. Ao defender a legitimidade de Maduro como presidente, o general ressaltou o apoio institucional da Força Armada Bolivariana à decisão do Tribunal Supremo de Justiça, que declarou a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente encarregada do país. Rodríguez, no comando do primeiro conselho de ministros dominical, deverá assumir formalmente a presidência interina na assembleia nacional na segunda-feira, marcando uma continuidade de liderança em meio a um cenário de crise política e diplomática.