Haddad aponta confusão do “lado de lá”, cita rejeição a Bolsonaro e defende veto à dosimetria
Ministro diz que a aposta em Flávio Bolsonaro ou Tarcísio de Freitas não depende de racionalidade, mas do instinto de Bolsonaro
Em conversa com jornalistas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou que o campo oposicionista ao governo atual vive um momento de certo embaraço. Ele descreveu o cenário como um pouco confuso e citou movimentos que, segundo ele, tendem a parecer erráticos. Além disso, reconheceu a expressiva rejeição a Jair Bolsonaro e observou que os pré-candidatos tentam estabelecer distâncias regulamentares entre si e o palanque governista.
Na prática, Haddad ressaltou que, entre as possibilidades consideradas pela direita, apostar em Flávio Bolsonaro ou em Tarcísio de Freitas não depende tanto de racionalidade do eleitor ou do cálculo político, mas de algo que ele chamou de instinto de Bolsonaro. “Se tem uma coisa que o Bolsonaro tem, pode ser a única coisa que ele tenha: instinto. Ele percebe que para ele ser rifado são dois segundos”, afirmou, em referência às dinâmicas que costumam mexer com o humor do cenário político.
O ministro fez ainda uma comparação entre Bolsonaro e Lula, dizendo que, mesmo atrás das grades, o ex-presidente despertava adesão semelhante àquela observada quando esteve solto, por representar um projeto, e não apenas uma pessoa específica. No contexto da direita, esse tom sugere que o jogo de alianças pode depender mais de percepções do eleitor que de planos racionais de curto prazo.
Sobre o eixo econômico para a campanha de reeleição de 2026, Haddad disse ser cedo para apontar o mote. Na avaliação dele, o tema ainda precisa amadurecer, e as candidaturas vão definindo diretrizes ao longo do tempo. O que ficou claro é que o debate econômico continuará a ocupar espaço relevante nos próximos meses, sem pressa para fechar rótulos definitivos.
Em relação ao PL da Dosimetria, Haddad explicou que tomou conhecimento da controvérsia apenas na reunião ministerial de quarta-feira, 17. Do ponto de vista prático, ele afirmou que, na leitura dele, a aprovação da proposição parecia inevitável no Senado, dada a contabilidade que tinham àquela altura. O ministro defende que o veto, quanto mais cedo, melhor para a agenda política do país, citando a possibilidade de judicialização do tema. Em resumo, parece haver alinhamento entre contorno legislativo e estratégia pública, ainda que haja resistência jurídica a qualquer desfecho definitivo.
Sobre o fim da escala 6×1, Haddad trouxe uma leitura alinhada com o presidente Lula: o tema, segundo ele, deve surgir como um pleito da sociedade, fruto de diálogo aberto com o Parlamento e com empresários. Embora muitos setores já abracem jornadas de 40 horas semanais, a pauta é tratada como uma agenda que pode ganhar traço definitivo no ano que vem, conforme as manifestações políticas forem se consolidando. No fim das contas, é uma discussão que pode evoluir com o tempo e exigir a participação de diferentes forças do debate público.