Haddad confirma saída do Ministério da Fazenda na próxima sexta-feira
Expectativa é de que o atual ministro se candidate ao governo de São Paulo a pedido do presidente Lula
O ministro Fernando Haddad informou nesta quarta-feira, 18, que deixará o comando da Fazenda ao fim desta semana, na próxima sexta-feira, 20. Em coletiva rápida, ele não se alongou sobre o tema, mantendo o foco nas ações do governo para tentar frear o aumento dos preços dos combustíveis, que tem relação com a guerra no Oriente Médio. No dia a dia, a confirmação abre espaço para rumores sobre o futuro político do chefe da pasta, especialmente a possibilidade de disputar o governo de São Paulo, a pedido do presidente Lula.
A previsão é de que o anúncio sobre a candidatura seja feito na quinta-feira, 19, antes mesmo da saída oficial do ministério. A agenda, segundo apurações de bastidores, reforça a expectativa de que Haddad possa representar o Palácio do Planalto na disputa estadual — cenário já debatido nos corredores do governo federal e visto como estratégica para manter o apoio ao PT no cenário paulista.
Confira abaixo os desdobramentos que, na prática, ganham força neste momento. ICMS e combate à especulação aparecem entre as prioridades, com o objetivo de manter a inflação sob controle sem recorrer a grandes aumentos de impostos. A proposta em discussão envolve a adaptação da legislação estadual ao regime do devedor contumaz, com medidas de fiscalização mais eficazes e a possibilidade de reduzir o ICMS em situações específicas. A ideia é permitir que estados ajustem seus dispositivos legais para reduzir as brechas que alimentam a variação de preços, sem depender de novos reajustes na alíquota.
Neste sentido, Haddad afirmou que já há trabalho de integração entre as ações de fiscalização e as mudanças na lei para tornar a cobrança de ICMS mais robusta. Ele explicou que a iniciativa visa enfrentar a especulação e a atuação de quem, diante do cenário de conflito, tenta tirar proveito da alta de preços da gasolina, mesmo sem alterações significativas no processo de produção da Petrobras. Além disso, o governo pretende manter um corredor de transição de 30 a 60 dias para que estados consigam ajustar suas leis sem prejudicar a arrecadação nem agravar a vida do consumidor.
Para completar, Haddad ressaltou que a atuação da ANP precisa ser fortalecida no combate aos desvios de mercado que elevam o preço da gasolina. A ideia é que a agência atue com mais firmeza na repressão à especulação, especialmente nos momentos de tensão internacional. Nesse contexto, a Medida Provisória assinada pelo presidente Lula surge como ferramenta adicional para inibir movimentos que prejudicam o equilíbrio entre oferta e demanda e que alimentam a volatilidade dos preços.
O ministro também destacou uma oposição clara a tratar o ICMS como se fosse um levy que o governo anterior administrou apenas para cortar a alíquota e depois compensar os estados. O objetivo é evitar um ciclo vicioso em que diminuições pontuais geram necessidade de novas compensações, em especial para manter a justiça fiscal e a previsibilidade para os estados. O Conselho de Secretários de Fazenda, por sua vez, realizou reunião virtual com o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, para alinhar os próximos passos. Haddad não participou do encontro, que revelou o esforço institucional para manter o rumo das reformas sem descontinuidade.
Por fim, no dia a dia de quem acompanha economia e orçamento, a saída de Haddad do governo federal pode sinalizar novos movimentos na agenda de políticas públicas, com atenção especial aos impactos sobre o bolso do cidadão comum. Em meio a promessas de ajuste fiscal, a expectativa é de que o desenho das medidas para ICMS e combate à especulação seja mantido com seriedade, sem transformar políticas públicas em artifício político. E, para você, leitor, fica a pergunta: quais mudanças reais veremos na prática nos próximos meses?