Guedes: Brasil pode crescer 5% ao ano por 10 anos com ajuste fiscal

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Brasil cresceria 5% ao ano por uma década com ajuste fiscal, diz Paulo Guedes

Para o ex-ministro da Economia, a economia poderia deslanchar se Bolsonaro fosse reeleito em 2022

No cenário apresentado por Paulo Guedes, o Brasil poderia acelerar para cerca de 5% de crescimento ao ano por uma década, desde que as contas públicas fiquem em ordem. A projeção foi compartilhada durante o evento Advance, promovido pela Farmi Capital em São Paulo, na sexta-feira que marcou o dia 6 de março de 2026. Na prática, ele ressaltou que o que faltaria seria manter a disciplina fiscal para dar aos agentes econômicos um ambiente de confiança, capaz de destravar investimentos e produção.

Para compreender o otimismo, vale recordar o contexto de 2022. Naquele ano, o país ainda superava os impactos da pandemia de covid-19, com um superávit primário de 54 bilhões de reais, equivalente a 0,6% do PIB. Além disso, a grande maioria dos estados operava no azul e as estatais acumulavam um superávit de 180 bilhões de reais. Nessa linha, Guedes argumentou que, se a eleição de Jair Bolsonaro tivesse ocorrido de forma diferente, boa parte desses ímpares ânimos macroeconômicos teriam favorecido um caminho de crescimento ainda mais rápido.

Em sua leitura, um fator crucial seria a política monetária: com a vitória de Bolsonaro, o Banco Central teria espaço para reduzir a Selic de forma mais contundente. Guedes mencionou que, naquele cenário, o BC precisaria reduzir os juros em cerca de 2 a 2,5 pontos percentuais por reunião, acelerando o processo de desalavancagem da economia e abrindo espaço para investimentos privados retomarem o ritmo.

Essa percepção se conectava a números de dezembro de 2022, quando a taxa básica de juros atingia 13,75%, como uma estratégia para conter uma inflação que já passeava acima de 5%. O último boletim Focus da época apontava uma inflação projetada de 5,31% em 2023, já sinalizando que o novo governo poderia escolher caminhos de gasto público mais contidos. Para Guedes, a reeleição de Bolsonaro teria o efeito de afastar as expectativas inflacionárias de perto de 3%, obrigando o BC a acelerar o ritmo de cortes. Em seu diagnóstico, 2023 deveria abrir com um crescimento estrutural do PIB próximo de 3%, herdado de 2022, e o recorte de Selic poderia acrescentar mais 2% de crescimento.

Ao comparar políticas públicas, Guedes lembrou que a dívida pública havia atingido 80% do PIB por conta da pandemia, mas que, com a reabertura da economia e o controle de gastos, recuou para 70% do PIB ao término do mandato de Bolsonaro. “Voltamos a um resultado fiscal de pandemia, sem pandemia”, descreveu, destacando que foi um feito extraordinário diante do cenário de crise sanitária.

No radar político, o ex-ministro foi cauteloso ao falar sobre as eleições de 2026, mas deixou claro que confia na continuidade de uma aliança entre conservadores e liberais. Ele traçou um paralelo com o Chile, onde a virada à direita se consolidou em atos recentes, e citou a vitória de Jos é Antonio Kast — que assume o poder em breve — além da vitória de Javier Milei na Argentina. Segundo Guedes, o desenho político brasileiro poderia registrar um alinhamento com três candidatos de direita que, juntos, poderiam pressionar um desfecho parecido, com chances reais de levar o segundo turno contra o petismo. No dia a dia, isso se traduz na expectativa de um espaço maior para reformas liberais, ainda que haja dúvidas sobre a velocidade e a magnitude dessas mudanças.

  • 5% ao ano de crescimento por uma década, com ajuste fiscal firme.
  • Redução acelerada da Selic caso haja continuidade de políticas lineares de reformas.
  • Queda da dívida pública para patamares menos acima de 70% do PIB ao longo de um novo ciclo de ajuste.
  • Paralelo entre cenários políticos da região, com leitura de cenários favoráveis a alianças entre forças de centro e direita.

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Jornalista

Ana Martins

Designer de interiores apaixonada por achados acessíveis. Adora transformar espaços sem estourar o orçamento e compartilhar cada descoberta.

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