Governo Trump autoriza venda de ouro venezuelano aos Estados Unidos
Licença permite apenas operações realizadas por meio dos EUA e destinadas a empresas norte-americanas
O Governo Trump abriu espaço para uma parcela do ouro venezuelano ser comercializada com os Estados Unidos, marcando mais um passo na flexibilização das sanções. A autorização, publicada pelo Departamento do Tesouro, permite operações com a estatal Minerven e suas filiais, desde que ocorram por meio dos EUA e sejam destinadas a empresas americanas, com possibilidade de reexportação no futuro.
Além disso, o documento estabelece um sistema de rastreamento para assegurar a origem venezuelana do metal. Também há a proibição de negociações envolvendo Irã, Coreia do Norte, Rússia, China e Cuba, uma restrição que se soma àquelas já aplicadas às exportações de petróleo do país sul-americano.
Na prática, a medida reforça o interesse americano em explorar os recursos minerais da Venezuela, indo além do setor petrolífero e incluindo ouro entre os ativos estratégicos. No contexto, o secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, anunciou durante uma visita a Caracas que empresas de mineração dos EUA estão se alinhando para investir no país. Ele também afirmou que a administração de Trump agora governa a Venezuela e controla seus vastos recursos naturais, após a suposta captura do ditador deposto Nicolás Maduro em 3 de janeiro.
“Eles estão ansiosos para começar, e para reduzir a burocracia, permitindo que o capital flua para o setor”, comentou Burgum, citando o otimismo dos executivos que o acompanharam na viagem. Ainda segundo as declarações, a prioridade é abrir espaço para investimentos com maior agilidade e menos entraves regulatórios.
Mais adiante, o cenário ganhou contornos políticos ao se saber que, no mês anterior, a vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência interina da Venezuela, em acordo com Washington para facilitar o acesso aos recursos naturais. A reforma anunciada pelo governo venezuelano aponta para a participação de grandes empresas estrangeiras no manejo de minerais e de elementos de terras raras, ampliando o espaço para o setor privado internacional.
Calibrando expectativas, a notícia sinaliza uma reorganização eficiente das peças no tabuleiro entre EUA e Venezuela, com impacto direto para investidores, companhias de mineração e para o cotidiano de quem acompanha a oscilações nesse país de riqueza mineral estratégica. No fim das contas, o movimento parece buscar um equilíbrio entre recursos e investimento, com reflexos práticos para o mercado global de metais.
- Transações devem ocorrer por meio dos EUA e ser destinadas a empresas com base no país.
- Há um sistema de rastreabilidade para confirmar a origem venezuelana do ouro.
- Proibição de negociações envolvendo Irã, Coreia do Norte, Rússia, China e Cuba.
- A possibilidade de reexportação do ouro pelas empresas americanas.