Governo Trump abre investigação contra o presidente da Colômbia

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Por que governo Trump abriu investigação contra o presidente da Colômbia

Promotores em Nova York investigam suposto envolvimento do presidente com pessoas ligadas ao narcotráfico e uso de fundos ilícitos em sua campanha presidencial de 2022. Petro afirma que nunca conversou com um narcotraficante.

Um novo capítulo de tensão entre Washington e Bogotá começa a ganhar contornos. Promotores federais em Nova York passaram a investigar o presidente colombiano, Gustavo Petro, no âmbito de apurações que envolvem tráfico de drogas e o que é chamado de narcoterrorismo. As diligências, conduzidas por unidades em Manhattan e em Brooklyn, não apontam Petro como alvo principal, mas seu nome aparece por figurar em investigações mais amplas.

Segundo o que já foi divulgado, equipes especializadas estariam examinando possíveis vínculos entre o presidente e indivíduos ligados ao crime organizado, além de suspeitas sobre a entrada de recursos ilegais em sua campanha de 2022. O caso ainda está em estágio inicial e, por ora, não há definição sobre eventual acusação formal. Também não há indícios de interferência da Casa Branca na abertura desses procedimentos.

As informações surgem em meio a um momento de distensão nas relações entre Petro e o governo americano, que passaram a dialogar novamente após um encontro realizado em fevereiro, encerrando meses de atritos que ocuparam o noticiário.

Sobre as alegações, Petro reagiu pela rede social X, dizendo que nunca manteve contato com narcotraficantes. O presidente colombiano ressaltou que dedicou uma década de sua vida a denunciar vínculos entre traficantes poderosos e políticos, o que, segundo ele, colocou sua vida em risco e levou ao exílio de familiares. Em relação a doações de campanhas, afirmou não ter aceitado recursos de banqueiros ou narcotraficantes.

A BBC Mundo entrou em contato com a presidência da Colômbia e com as procuradorias de Brooklyn e de Manhattan, mas ainda não obteve resposta.

Já nas vésperas do encontro com Petro, em fevereiro, Trump havia classificado o colombiano como narcotraficante, sugerindo que ele deveria tomar cuidado e até mencionando a possibilidade de ações militares na Colômbia, algo semelhante ao que ocorreu na Venezuela. No fim de 2025, o Departamento do Tesouro dos EUA também impôs sanções a Petro, a familiares dele e a um membro de seu governo, sob acusações de envolvimento com o tráfico internacional de drogas. Embora não haja provas apresentadas, o então secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o presidente colombiano teria permitido que os cartéis prosperassem e se recusado a conter essa atividade.

Petro, por sua vez, acusou os Estados Unidos de violar a soberania da Colômbia e de operações que resultam na morte de pessoas inocentes no combate ao narcotráfico. Em relação ao fluxo de cocaína, ele sustenta que, sob sua gestão, o tráfico cresceu menos do que em governos anteriores e que houve maior número de apreensões em comparação aos períodos anteriores.

A abertura das investigações ocorre em meio à campanha presidencial colombiana, com o primeiro turno marcado para 31 de maio e a possibilidade de segundo turno em 21 de junho. O vencedor tomará posse em 8 de agosto. Analistas avaliam que o caso tende a aumentar a pressão em um cenário já bastante polarizado, em que as tensões com os EUA aparecem como tema central do debate eleitoral.

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Jornalista

Lucas Almeida

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