Família de Virginia Giuffre pede ao rei Charles que se encontre com sobreviventes de Epstein durante visita aos EUA
A família de Virginia Giuffre, acusadora de Jeffrey Epstein, pediu neste sábado que o rei Charles do Reino Unido se reúna com as sobreviventes durante a visita de Estado aos Estados Unidos no fim do mês, argumentando que a viagem cai perto do aniversário de uma importante passagem ligada ao caso.
Em uma declaração compartilhada pela defesa de Giuffre, representantes afirmaram que o encontro com as sobreviventes seria uma oportunidade para ouvir diretamente quem viveu na prática os abusos relatados. Além disso, destacaram a conexão entre a visita e o momento sensível marcado pelo aniversário de uma morte associada às acusações do caso Epstein.
Os porta-vozes lembraram que a família tem acompanhado de perto a defesa das vítimas e que expressaram gratidão ao rei por ter dado atenção às denúncias envolvendo Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do príncipe Charles, e pela atuação que resultou na destituição dele de parte de suas funções públicas.
O Palácio de Buckingham não respondeu a pedidos de comentário sobre o tema. Anteriormente, já havia indicado que o rei não poderia se envolver diretamente enquanto as investigações relacionadas aos abusos sexuais envolvendo Epstein e o círculo próximo continuassem em andamento.
Giuffre acusa o falecido Jeffrey Epstein de tráfico em favor do irmão mais novo do rei, Andrew Mountbatten-Windsor, quando ela tinha apenas 17 anos. Mountbatten-Windsor sempre negou as acusações e firmou um acordo extrajudicial com Giuffre em 2022, sem admitir irregularidades; ele afirmou não se recordar de ter se encontrado com ela.
Viagem de alto nível aos Estados Unidos está programada para os dias 27 a 30 de abril, em ocasião de celebrar os 250 anos de independência norte‑americana. A visita de Estado acontece num momento em que o Reino Unido quer, de forma estratégica, estabilizar as relações com o presidente americano, Donald Trump, após tensões relacionadas à guerra no Irã, deslocando o foco para o programa do monarca em Washington.
No dia a dia, a realidade é de que esse tipo de encontro envolve um eixo de debates complexos entre diplomacia, memória de vítimas e responsabilidades históricas. E no fim das contas, o que isso muda para as pessoas comuns que acompanham o noticiário? A conversa sobre Justiça, apoio às vítimas e papel da monarquia em questões sensíveis volta a ganhar espaço, mesmo diante de uma agenda oficial repleta de compromissos internacionais.