Galípolo vai à CPI do Crime Organizado nesta quarta
Presidente do Banco Central deve ser ouvido quanto à finalidade de reunião entre ele, Lula e Vorcaro
Nesta quarta-feira, a CPI do Crime Organizado do Senado recebe a oitiva de Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central, ao lado de seu antecessor, Roberto Campos Neto. O objetivo é entender o papel do BC no episódio envolvendo o Banco Master e seu então dono, Daniel Vorcaro.
A sessão, que tem início às 9h, vai colocar Galípolo e Campos Neto frente a perguntas sobre a atuação do BC no caso do banco liquidado e a relação com Vorcaro. No dia a dia da CPI, o foco vai além da técnica bancária: é sobre transparência institucional e responsabilidade na fiscalização do sistema financeiro.
Para o relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), a convocação de Campos Neto é necessária porque ele é visto como uma testemunha qualificada para esclarecer os critérios de idoneidade exigidos para novos controladores de bancos, contribuindo para a avaliação de riscos e conformidade regulatória.
O requerimento para ouvir Galípolo partiu do senador Eduardo Girão (Novo-CE). Ele afirmou ter dúvidas sobre a finalidade institucional de uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Galípolo e Vorcaro, que ocorreu no Palácio do Planalto em novembro de 2024. Em termos práticos, a oitiva deverá esclarecer se houve interferência externa que pudesse influenciar decisões regulatórias ou de fiscalização.
“A oitiva pretendida não se dirige à atividade técnica do Banco Central em si, mas à necessidade de assegurar transparência institucional e afastar quaisquer dúvidas sobre eventual interferência política ou econômica indevida em processos de fiscalização e controle do sistema financeiro, temas diretamente relacionados ao objeto desta CPI”, aponta o requerimento.
A CPI do Crime Organizado, instalada em novembro de 2025, funciona sob a coordenação do presidente Fabiano Contarato (PT-ES), com Hamilton Mourão (Republicanos-RS) na vice-presidência e Ale ssandro Vieira como relator. A poucos dias do fim dos trabalhos, Vieira pediu a prorrogação das atividades por mais dois meses, para ouvir depoimentos adicionais e analisar documentos, especialmente após os desdobramentos do caso Master. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), porém, decidiu não prorrogar o prazo, e os trabalhos devem encerrar no dia 14. A confirmação foi feita por Vieira na terça-feira, 7.
Quanto ao Caso Master, o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi preso no começo de março, na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apura crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, atribuídos a uma organização criminosa. As apurações contam com o apoio do Banco Central na condução do inquérito.
No fim das contas, a oitiva programada para Galípolo se insere no objetivo da CPI de entender como funciona a interseção entre técnicas regulatórias e decisões institucionais, questionando até que ponto há espaço para influências externas no sistema financeiro. E você, leitor, como avalia esse equilíbrio entre independência e transparência na fiscalização bancaria?
- Quem: Gabiel Galípolo e Roberto Campos Neto; senadores Alessandro Vieira (relator) e Eduardo Girão (solicitante)
- O que: oitiva na CPI sobre atuação do BC no caso Master e sobre a reunião com Vorcaro
- Quando: quarta-feira, 8 de abril de 2026, a partir das 9h
- Contexto: reunião no Planalto em novembro de 2024 levanta dúvidas sobre a finalidade institucional