Os cenários de Flávio Bolsonaro para a eleição no Rio
Senador busca um palanque forte em outubro para enfrentar a dupla Paes e Lula
Em meio a um cenário político no Rio cada vez mais volátil, Flávio Bolsonaro já traça caminhos para manter o bolsonarismo ativo até outubro. O senador apontou dois nomes como pré-candidatos a governador: o Douglas Ruas, secretário estadual das Cidades, e o Felipe Curi, secretário de Polícia Civil. Além disso, a estratégia busca criar um palanque sólido para enfrentar a aliança entre Eduardo Paes (PSD) e o presidente Lula que desponta na conjuntura local.
No cenário atual, o clima político permanece técnico e incerto. A ideia é pressionar a definição de um “candidato-tampão” para o Rio, já que Cláudio Castro pode deixar a cadeira ainda neste mandato. Nesse contexto, Ruas aparece como o nome com mais chance de avançar, seja ocupando a vaga de forma indireta pela Alerj antes das eleições, seja assumindo a máquina estadual caso conquiste a sua posição de forma direta em outubro. Na prática, o objetivo é manter o comando da gestão pública sob a razão de Estado, mesmo diante de reacomodações no tabuleiro partidário.
Mas o que isso muda na prática? O cenário ideal para Flávio, segundo leituras internas, é ver Ruas conduzindo a campanha caso tenha a caneta na mão durante o pleito, o que permitiria alinhar o discurso com o núcleo bolsonarista. Por outro lado, há quem aposte que o próprio Castro não abdique facilmente do controle, fortalecendo a candidatura indireta de Nicola Miccione, atual secretário da Casa Civil, como opção para manter a linha de governo no jogo eleitoral. A disputa interna no PL envolve o governador, Flávio e o presidente estadual do partido, Altineu Côrtes, e uma definição não está sacramentada.
Para avançar com um consenso, uma reunião para delimitar o candidato-tampão está prevista para a próxima semana, após o retorno de Castro de uma viagem à Europa. No momento, o debate permanece vivo e com várias possibilidades de desfecho, sempre com o objetivo de manter a voz bolsonarista presente no estado. Além disso, dirigentes locais avaliam que o alinhamento entre nomes da segurança pública será o eixo central da campanha no Rio.
Entre os cenários estudados, se Ruas não ocupar a vaga definitiva, o mais provável é que Felipe Curi seja apontado como a alternativa mais viável. O delegado é visto como o único — mesmo sem estar no governo — capaz de enfrentar Paes nas urnas. Sua imagem de “homem forte” ganhou reforço após ações de operação em áreas sensíveis, como Penha e Alemão, o que poderia ser aproveitado no discurso de linha dura do bolsonarismo. Ainda assim, Curi não confirmou formalmente se pretende concorrer, o que aumenta a cautela entre alianças e avaliações de cenário. Ruas e Curi, vale lembrar, são da mesma área de segurança pública e, nesse sentido, o tema tende a dominar a propaganda no estado.
Ruas, por sua origem, carrega também a pauta regional: é filho do Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo, o que lhe confere uma ligação direta com a base municipal e uma leitura de gestão pública que pode agradar ao eleitorado que valoriza o funcionamento da máquina estatal. Já Curi, com trajetória clara na linha de comando da segurança, aparece como a figura que pode unificar o discurso de lei e ordem com uma estratégia de comunicação que alcance o eleitorado com mais clareza na prática.
No fim das contas, o tabuleiro do Rio de Janeiro continua em movimento. Flávio busca um palanque capaz de sustentar a força do bolsonarismo diante de Paes e Lula, enquanto o PL tenta consolidar uma liderança que seja capaz de atravessar as turbulências do cenário local. A leitura final é de que, independentemente do caminho escolhido, a eleição no Rio será um teste de coesão entre candidatura, governo de transição e estratégias de comunicação que dialoguem com o dia a dia do eleitor. Mas, afinal, qual é o verdadeiro impacto disso na solução de problemas cotidianos da população?