Flávio Bolsonaro: CPI do Banco Master é ilegal e Alessandro Vieira é ‘hipócrita’
O pré-candidato à presidência afirma que a CPI projetada para apurar ministros do STF não se sustenta na prática, mesmo mantendo posição crítica a ações consideradas inadequadas.
Em entrevista exibida pelo SBT News nesta quarta-feira, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a CPI proposta para investigar ministros do Supremo Tribunal Federal no caso do Banco Master é, na prática, ilegal. “Você não pode instaurar uma CPI para investigar crimes comuns de pessoas”, disse o político com ênfase, recuando a tese de que o instrumento só faria sentido em situações específicas e com base jurídica sólida.
O requerimento foi protocolado na segunda-feira, 9, com 35 assinaturas — oito acima do mínimo exigido. Flávio foi o 29º signatário. A demora gerou críticas nas redes sociais, onde eleitores da oposição passaram a questionar possíveis vínculos entre o senador e os ministros investigados. Além disso, no dia a dia, o episódio reacendeu o debate sobre a credibilidade de CPIs como instrumentos de fiscalização parlamentar.
Mesmo criticando a forma atual da CPI, Flávio aproveitou para manter o discurso de apoio a ações jurídicas contra eventual desrespeito à lei. Segundo ele, Vieira acelerou a coleta de assinaturas durante o fim de semana de modo deliberado para constrangê-lo publicamente. “Ele correu com as assinaturas exatamente para dizer que eu não assinei, porque eu tenho algum rabo preso, o que é mentira. E ele sabe disso”, afirmou, reforçando o tom de confronto entre os envolvidos.
Além disso, o senador dedicou parte da fala a atacar Vieira de forma mais ampla. Afirmou que o colega teria transformado a CPI do Crime Organizado — da qual Flávio esperava participar para investigar o PCC e o Comando Vermelho — em um palanque eleitoral, com a convocação de ex-ministros do governo Bolsonaro. “Senadores como Alessandro Vieira descredibilizam o que ainda resta de credibilidade do instituto das CPIs”, declarou o parlamentar.
A discussão ganhou novos contornos quando Flávio disse ter assinado o requerimento e, se possível, sugeriu incluir no escopo da CPI nomes como o ministro da Fazenda Fernando Haddad, o presidente do Banco Central Gabriel Galípolo, o ministro da Casa Civil Rui Costa e o empresário baiano Augusto Lima. Segundo o senador, todos teriam participado de reuniões com o banqueiro Daniel Vorcaro. “Por que o Alessandro Vieira esqueceu de chamar essa galera? Só porque ele é base do governo Lula?”, questionou, ampliando a irritação com o método de condução da investigação.
O momento ganhou contornos de bastidores após os trabalhos começarem a girar em torno do Banco Master. Fontes revelaram mensagens extraídas do celular de Vorcaro demonstrando que o banqueiro mantinha contato com Moraes e prestava contas sobre as negociações de venda do banco. O Estado ainda mostrou a ligação de familiares de Toffoli com fundos ligados ao Master, além de apontar que, para preservar o sigilo, Vorcaro e Moraes utilizavam um recurso de visualização única das conversas.
Apesar de classificar a CPI como ilegal na forma atual, Flávio sinalizou concordância com medidas mais firmes contra ministros que desrespeitarem a Lei de Responsabilidade (Lei 1.079). “Já assinei vários, vou assinar quantos forem necessários”, disse, deixando claro que o tema continua em pauta para o seu posicionamento público e para a agenda política.
Para você, leitor, fica a pergunta: até onde a CPI pode exercer influência sobre decisões no STF sem perder a legitimidade? No fim das contas, o debate envolve critérios, prazos e mecanismos de controle que afetam a vida pública e a percepção da opinião sobre a classe política.
- CPI proposta para o Banco Master envolve ministros do STF
- Requerimento com 35 assinaturas, Flávio foi o 29º signatário
- Vazamentos de mensagens e ligações com Vorcaro e Moraes à luz pública
- Posição de Flávio: ainda há espaço para impeachment de ministros que descumprirem a lei