Por que Flávio Bolsonaro usou colete em ato na Avenida Paulista
BRASÍLIA E SÃO PAULO – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, participou de manifestação na Avenida Paulista com segurança reforçada e uso de colete à prova de balas.
No encontro organizado neste domingo, o clima de confronto político ganhou tom de estreia para o público presente. Flávio chegou acompanhado de uma escolta mais robusta e decidiu manter a proteção de seu corpo com um colete à prova de balas, medida exibida aos olhos de apoiadores e da imprensa, em meio a dúvidas sobre quais riscos cercam eventos desse tipo. Além dele, estavam presentes aliados que costumam acompanhar o trajeto das caravanas de campanha, sinal de que o momento exigia cautela extra.
Ao desembarcar, o senador avançou a pé pela calçada ao longo da região da Avenida Paulista, parando em uma das vias marginais ao som de falas de seus apoiadores. Entre os nomes que o acompanhavam estavam o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o governador de Minas Gerai Romeu Zema (Novo). O percurso o levou até o trio elétrico principal, situado nas proximidades do Masp, ponto tradicional de encontros de mobilizações deste porte.
Questionado sobre o uso do equipamento, Flávio afirmou que o colete foi adotado por cautela, dada a percepção de risco. A assessoria do senador explicou que a recomendação veio da própria equipe responsável pela proteção do pré-candidato, citando ameaça real de fogo como justificativa. Na prática, o episódio remete a lições de segurança vividas no passado, quando a circulação de lideranças políticas em atos públicos atrai atenção exigente de proteção.
A referência histórica não passou batida: aos olhos do público, o episódio ecoa os momentos de 2018, quando o então candidato Jair Bolsonaro sofreu uma facada durante campanha em Juiz de Fora (MG). O próprio Flávio era o último a discursar na manifestação de hoje; o discurso durou cerca de 15 minutos e traçou um tom de defesa do pai e de propostas para o futuro.
No discurso, Flávio sustentou que Bolsonaro — dito como personagem principal de uma “trama golpista” — subirá a rampa do Palácio do Planalto em janeiro de 2027, caso vença a eleição em outubro. O tom foi combativo: ataques diretos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), um elogio contido ao público feminino e ao Bolsa Família, além de defender o pai e sinalizar a possibilidade de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em um novo Parlamento, já com o olhar voltado ao que está por vir. Esse enredo busca ampliar a adesão entre as parcelas mais vulneráveis do eleitorado, especialmente mulheres, que aparecem como alvos estratégicos em pesquisas recentes.
No conjunto, o dia reforça a ideia de que o caminho até 2027 passa pelo alinhamento com as bases e pela construção de narrativa de liderança em momentos de tensão política. No fim das contas, fica a leitura de que a presença marcante, aliada a um sinal visível de proteção, traduz a tentativa de manter a liderança em meio a um cenário nacional cada vez mais competitivo.
- Coleta de segurança reforçada para o ato
- Presença de aliados relevantes ao redor do candidato
- Discurso de mobilização com foco em 2027
- Apelo a eleitorado pobre e feminino como eixo de estratégia