Flávio Bolsonaro critica Moraes após ministro negar visita de assessor de Trump ao pai
O senador reagiu com dureza à decisão do STF que revogou a autorização para a visita de Darren Beattie, enquanto o cenário envolve diplomacia, tarifas e o desenrolar de uma trama que envolve o ex-presidente na Papudinha.
Em meio a uma onda de tensões entre Brasil e Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiu de forma contundente à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de cancelar a autorização para a visita de Darren Beattie, assessor sênior do Departamento de Estado dos EUA responsável pela política brasileira, ao ex-presidente Jair Bolsonaro, cumprindo pena na Papudinha em Brasília. A manifestação do filho do ex‑chefe do Planalto chegou às redes sociais, onde ele acusou Moraes de criar mais atrito com a diplomacia americana por motivo que ele descreveu como irrelevante.
No tom da mensagem publicada no X, Flávio afirma que Moraes, mais uma vez, “arruma confusão com os EUA por NADA” e que o ministro seria tóxico para a imagem do Judiciário, alimentando um problema “MASTER” para o Brasil. Mas o que isso muda na prática? ele parece sugerir, lembrando que a visita, em si, não guarda consequências sem um contexto diplomático claro. O discurso, ao menos, reafirma a pauta de defesa de uma linha mais firme com interlocutores estrangeiros que, para o bolsonarismo, teriam peso político e simbólico.
O episódio tem por origem a decisão tomada por Moraes, que revogou a autorização de visita após ter sido informada de que o visto de Beattie estaria vinculado apenas ao Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, marcado para 18 de março em São Paulo. O Itamaraty, segundo o relato divulgado na ocasião, informou ao STF que a visita ao ex-presidente jamais integrava os objetivos comunicados pelo governo dos EUA, o que motivou a reversão da medida.
Enquanto isso, Bolsonaro continua cumprindo pena de 27 anos e 3 meses no regime fechado, vivendo na Sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O cenário reforça a leitura de que há uma ligação entre temas judiciais, diplomacia e a própria figura do ex-presidente, que, para os apoiadores, representa uma linha de atuação distinta no confronto com o que consideram pressões externas.
No front econômico e político, o episódio também reacende a memória de controvérsias anteriores, como o tarifaço aplicado por Donald Trump há pouco mais de um ano, que elevou impostos sobre itens brasileiros em até 50%. Em 20 de fevereiro, o presidente americano recuou, retirando as tarifas. A justificativa, citada em parte como reflexo do tratamento dado pelo Brasil no julgamento envolvendo Jair Bolsonaro e em decisões do STF sobre empresas de tecnologia dos EUA, foi comunicada ao presidente Lula por carta de Trump. Na prática, esse recuo alimenta a percepção entre bolsonaristas de que Moraes está no centro de embates com Washington, alimentando um terreno fértil para carregar culpabilizações.
Encontro de Darren Beattie com Bolsonaro
Na prática, a retomada de contatos bilaterais com o eixo EUA/BR continua cercada de afirmações e contradições. Moraes, por sua vez, sustenta que a decisão foi pautada pela necessidade de alinhar visitas a um contexto diplomático específico, enquanto o With the papuada de Beattie aparece como peça de um quebra-cabeça maior, no qual a diplomacia e a política interna se cruzam com frequência. No fim das contas, leitores, fica a sensação de que cada movimento pode ter desdobramentos além dos muros do presídio e além do Palácio do Planalto.