Filho de Maduro confia na Justiça dos EUA; Trump cita novas acusações

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Confio na Justiça americana, diz filho de Maduro; Trump fala em “novas acusações”

Ex-dirigente venezuelano comparece à segunda audiência de seu julgamento por tráfico de drogas em NY, quase três meses após captura em Caracas

Direto de Caracas, o Nicolás Maduro Guerra, deputado e filho do ex‑líder venezuelano, afirmou nesta quinta-feira à AFP que deposita fé no sistema judicial dos Estados Unidos. O seu pai, com o mesmo nome, e a esposa Cilia Flores estão sob julgamento em Nova York após terem sido detidos em uma operação militar apoiada pelos EUA no país sul‑americano. Mesmo com a confiança demonstrada, o filho ressaltou que o caso carrega vestígios de ilegitimidade, chegando a classificar a prisão como um sequestro decorrente da intervenção de Washington. Ele reforçou ainda a esperança de que o processo siga dentro dos marcos legais norte‑americanos e lembrou que a imunidade internacional prevista nas convenções de Genebra e Viena para presidentes eleitos não foi respeitada de forma plena.

Na prática, do outro lado do continente, Nicolasito — como é conhecido na Venezuela — admitiu ser improvável que a Justiça dos EUA arquive as acusações, ainda que esse seja o desejo da família. Em meio a uma manifestação de apoiadores na praça pública, ele pediu que o pai tenha espaço para se defender e para se expressar. A multidão, por sua vez, clamava por liberdade para Cilia e Nicolás e endereçava slogans de apoio ao ex‑mandatário deposto.

Maduro e Cilia Flores permanecem detidos no Brooklyn, em uma prisão federal, onde enfrentam acusações graves que incluem narcoterrorismo, importação de cocaína, associação com cartéis e posse de metralhadoras e dispositivos explosivos. Também houve menções de ligações com movimentos guerrilheiros, especialmente na Colômbia, classificados como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Em janeiro, na primeira audiência, ambos se declararam inocentes, com o ex‑mandatário venezuelano se apresentando como prisioneiro de guerra.

Nesta quinta-feira, 26, o tom de Trump ganhou espaço durante uma reunião de gabinete na Casa Branca. O presidente americano reiterou que Maduro deverá ter um julgamento justo, mas avisou que o ex‑líder enfrentará outras acusações no futuro. “Imagino que novos julgamentos virão, pois ele foi acusado apenas de uma fração do que realmente fez,” comentou o chefe de governo. Ao mesmo tempo, ele celebrou a operação que resultou na captura, chamando-a de “uma grande operação militar”, e voltou a acusar Maduro de ter matado muitas pessoas e de ter destruído prisões, enviando detentos para o território americano.

Sobre o estado de detenção, Maduro segue isolado no Metropolitan Detention Center (MDC), no Brooklyn, sem acesso à internet ou a jornais. A fonte que acompanha o caso diz que ele pode falar ao telefone apenas com familiares e advogados, por sessões de até 15 minutos. A história recente da Venezuela também envolve mudanças políticas significativas: Delcy Rodríguez, que atualmente preside a interinidade, destituiu o embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, após quase dez anos no cargo, e promoveu ajustes na cúpula militar, afastando o ministro da Defesa Vladimir Padrino López. Essas mudanças chegaram justamente no ciclo de tramitação do novo processo, com a nova audiência de Maduro ocorrendo um dia após as mudanças, enquanto apoiadores se reuniam para acompanhar o caso por telões na Praça Bolívar.

Ao longo de todo o desenrolar, o contraste entre expectativas legais, pressões políticas e a própria imagem pública de Maduro e do chavismo ganha contornos de um enredo que envolve não apenas justiça, mas também geopolítica e estratégia de poder. E, no dia a dia, o que mais resta para o leitor comum é perguntar: o que tudo isso muda na prática? A resposta, por ora, parece consistir em uma complexa equação entre processos judiciais, rivalidades regionais e sinais de aproximação entre Caracas e Washington — um jogo cuja conclusão ainda está por vir.

  • Detenção: Maduro e Cilia Flores permanecem no Brooklyn sob acusações graves, incluindo narcoterrorismo e tráfico de cocaína.
  • Posição do filho: Nicolás Maduro Guerra diz confiar na justiça americana, chamando a prisão de sequestro.
  • Palavras de Trump: o presidente afirma que Maduro terá julgamento justo, mas deverá enfrentar novas acusações no futuro.

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Jornalista

Carlos Ribeiro

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