Filhas de Virginia se maquiam; crianças podem usar itens de adultos?

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Filhas de Virginia usam maquiagem, mas crianças podem usar produtos de adulto?

Maria Flor e Maria Alice tem ganhado as redes se embelezando e especialistas explicam quais os riscos

No cenário atual das redes, é comum encontrar crianças ganhando destaque ao estilo “embelecemento” com a maquiagem dos adultos. No centro dessa tendência estão as filhas da influenciadora Virgínia Fonseca, Maria Flor, de 4 anos, e Maria Alice, de 3, que aparecem, em algumas gravações, sendo maquiadas por profissionais da área da beleza. Em alguns momentos, é possível observar a mais velha utilizando itens direcionados ao público adulto. E aí surge a pergunta que não quer calar: crianças podem usar maquiagens de gente grande?

Especialistas ouvidos pelo portal destacam que esse tipo prática não é ideal e que o uso frequente pode trazer irritações e alergias na pele e nos olhos. Além disso, há o risco de obstrução dos poros, com o surgimento de espinhas precoces, o que pode contribuir para sensibilizar a pele no longo prazo. No dia a dia, o que parece apenas uma brincadeira pode ter consequências reais para a saúde dermatológica das crianças.

A dermatologista Karen Aquilina explica que as fórmulas comuns de itens voltados para adultos costumam conter maior concentração de fragrâncias, conservantes e pigmentos mais fortes. “Isso pode irritar com facilidade. No consultório, vejo muitas crianças com dermatite por causa disso. Não é apenas uma questão estética, é, de fato, uma questão de segurança da pele,” afirma. A especialista reforça a importância de que, quando houver maquiagem entre crianças, seja indicada produtos voltados ao público infantil. Segundo ela, não existe uma idade exata para iniciar esse uso, mas, na prática, quanto mais tardar, melhor.

Nessa linha, a pediatra Maria de Fátima, do Hospital Saint Patrick, chama atenção para um ponto importante: o cuidado com a hipersexualização de menores com o uso de maquiagem. “Maquiagem em criança deve ser algo pontual, lúdico, em apresentações de balé, teatro, na escola, mas não na rotina do dia a dia,” ressalta. Ao mesmo tempo, ela reconhece que há opções mais adequadas para esse público, com fórmulas mais suaves, testadas para pele sensível e menor concentração de substâncias irritantes.

Para as famílias, a orientação costuma passar pela organização de uma nécessaire específica para crianças. A ideia é evitar que itens adultos fiquem facilmente acessíveis, o que aumenta o risco de uso inadequado, além de reduzir a exposição a químicos presentes nas composições. A pediatra também frisa a importância da higiene: compartilhar maquiagem pode favorecer a transmissão de bactérias e fungos, especialmente na região dos olhos e da boca. “Não é apenas ‘brincar com maquiagem’ — há risco real para a pela da criança,” afirma.

O debate também aborda o uso responsável da maquiagem em público infantil. Maria de Fátima aponta que a escolha de fórmulas específicas para crianças deve priorizar a suavidade, testar para pele sensível e evitar altos níveis de irritantes. “Crianças podem usar, de vez em quando, itens testados para esse grupo, sempre retirando após a apresentação e evitando próxima aos olhos. Em caso de reação alérgica, interromper o uso,” completa. Em resumo, o consenso entre especialistas é: a segurança vem em primeiro lugar, com cuidado constante, supervisão adulta e escolhas adequadas ao público infantil.

No dia a dia das famílias, a resposta prática a essa questão envolve equilíbrio: reconhecer a curiosidade das crianças pela estética, ao mesmo tempo em que se protege a pele sensível. É natural que as crianças queiram se expressar e participar de momentos especiais com a família — por isso, o caminho recomendado é priorizar produtos infantis, com formulações suaves, e manter distância de usos frequentes ou diários. E, caso haja qualquer sinal de irritação, prurido ou rubor, a orientação é suspender o uso e consultar um profissional de saúde.

Por fim, fica a reflexão para quem acompanha essas tendências nas redes: como lidar com a exposição constante de menores a padrões estéticos? No que diz respeito à pele dos pequenos, o cuidado, a higiene e a escolha consciente de produtos são os fundamentos que ajudam a manter a pele mais saudável, sem perder a alegria de ser criança e de se divertir com maquiagem, de forma segura e responsável.

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Jornalista

Fernanda Costa

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