FIFA quer um verdadeiro espetáculo de futebol: como a IA vai revolucionar o Mundial 2026
Com a inteligência artificial cada vez mais presente no dia a dia, a FIFA quer levar o futebol a novos patamares de tecnologia, buscando tornar o VAR mais rápido, preciso e próximo da realidade de cada atleta. Veja como a revolução está desenhada para o Mundial 2026.
À medida que a tecnologia se insinua em diferentes áreas do cotidiano, o futebol não fica de fora. O Mundial de 2026 surge como laboratório de novidades, com a promessa de transformar decisões em campo e a experiência de quem acompanha o esporte de perto. O objetivo é somar a precisão dos algoritmos à emoção do jogo, sem perder a essência da competição.
No centro dessa transformação estão os avatares digitais 3D de todos os jogadores que disputarão o torneio. Cada atleta será digitalizado com medidas reais em um processo que, segundo o plano, leva menos de um segundo. Esses modelos vão alimentar o VAR na checagem de fora de jogo, por meio de uma tecnologia de fora de jogo semi-automatizada, prometendo identificação mais fiel mesmo em lances rápidos ou com obstruções visuais. Hoje, sistemas como os usados em ligas como a Premier League dependem de dezenas de câmaras e milhares de pontos de dados; com os avatares personalizados, a FIFA acredita que a precisão das decisões fica significativamente criticada e mais confiável.
Além disso, a visão é tornar essa tecnologia parte das transmissões. Querem integrar os avatares nas imagens do Mundial 2026 para ajudar torcedores, dentro dos estádios ou em casa, a entenderem melhor o que está em análise pelo VAR. Essa aposta de IA faz parte de uma estratégia de digitalização do futebol, anunciada na CES 2026, em Las Vegas, quando Gianni Infantino descreveu a competição deste ano como “o maior espetáculo já visto no planeta”. Nessa linha, surge também o Football AI Pro, plataforma de dados desenvolvida em parceria com a Lenovo, destinada a equipar todas as seleções participantes e reduzir desigualdades entre países com mais e menos recursos. E não para por aí: será lançada uma edição especial do Mundial 2026 para o smartphone Motorola Razr, fortalecendo a ligação entre fãs e tecnologia.
Para entender o alcance desse movimento, vale olhar para os bastidores de público e demanda. Em dezembro, a FIFA registrou cerca de 150 milhões de pedidos de bilhetes de mais de 200 países, uma procura sem precedentes que, segundo a organização, representa trabalho de ~30 vezes maior que a oferta disponível. A fase de venda, que ocorre nos EUA, Canadá e México, vai até 13 de janeiro de 2026. E o próprio presidente da FIFA não deixou dúvidas sobre o tom do crescimento: o Mundial 2026 tem tudo para ser o maior e mais inclusivo espetáculo do planeta.
No cotidiano dos fãs, tudo isso se traduz em uma experiência mais clara, com tecnologia a favor da compreensão e da emoção do futebol apresentado de forma mais acessível a quem acompanha cada lance — sem perder a essência que faz o torcedor vibrar. No fim das contas, a grande aposta é equilibrar inovação, transparência e a paixão pelo jogo.
Ana Sofia Neto