EUA anunciam novas sanções abrangentes contra Irã por repressão letal a protestos
Embargo econômico visa autoridades de segurança e redes financeiras; Mundo espera para ver se Trump pode ir além e ordenar incursão militar em Teerã
Em uma medida que acende mais uma vez o debate sobre o uso da pressão econômica, os Estados Unidos anunciaram novas sanções econômicas direcionadas a autoridades de segurança iranianas e às redes financeiras do país. A justificativa central é a repressão violenta a protestos pacíficos, aliada à acusação de lavagem de bilionárias receitas petrolíferas que circulam por meio de estruturas de fachada. No dia a dia, é uma estratégia que busca endurecer o isolamento financeiro — com efeitos diretos sobre quem opera no Irã e seus aliados no exterior.
No contexto global, o anúncio acontece frente à maior onda de protestos anti-governo já vista no Irã e em meio a discussões no Conselho de Segurança da ONU. Enquanto isso, o tom do presidente Donald Trump oscila entre ameaça contida e cautela, alimentando a curiosidade sobre até onde a Casa Branca pode ir em termos de ação militar.
Em coletiva, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, detalhou as medidas: ativos de pessoas e entidades designadas ficam congelados nos EUA e os cidadãos americanos ficam proibidos de realizar transações com elas. Além disso, instituições financeiras estrangeiras que mantenham relações com esses sancionados podem enfrentar sanções secundárias — um efeito dominó que busca frear redes complexas de operações comerciais.
Entre os alvos, destacam-se Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, acusado de coordenar a repressão e ordenar o uso da força contra manifestantes. Quatro comandantes regionais das Forças da Ordem e da Guarda Revolucionária Iraniana, pilares do regime, também integram a lista por participação na repressão nas províncias de Lorestan e Fars.
- Alvos: Ali Larijani; quatro comandantes regionais das Forças da Ordem e da Guarda Revolucionária;
- Medidas: congelamento de ativos, proibição de transações para sancionados e sanções secundárias para instituições que operem com eles;
- Contexto: repressão a protestos pacíficos e cooperação em lavagem de bilhões de dólares derivados das vendas de petróleo.
Segundo o comunicado, as forças de segurança do Fars teriam assassinado manifestantes pacíficos, enquanto hospitais enfrentam lotação causada por ferimentos de armas de fogo — relatos que aparecem como parte da narrativa oficial para justificar as medidas. Além das figuras ligadas à repressão, o Tesouro identificou dezoito pessoas e entidades acusadas de operar redes que lavam bilhões de dólares das receitas petrolíferas iranianas, por meio de empresas de fachada nos Emirados Árabes Unidos, em Singapura e no Reino Unido.
A ação se soma à estratégia de pressão máxima promovida pela administração Trump. Em 2025, o Tesouro já havia sancionado mais de 875 pessoas, embarcações e aeronaves como parte dessa iniciativa, reforçando o regime de restrições contra o Irã. Enquanto isso, o Conselho de Segurança da ONU planeja uma reunião a pedido dos EUA para tratar da questão iraniana, pouco depois de Washington iniciar a retirada de parte de seu pessoal de bases no Oriente Médio.
Um funcionário americano citado pela Reuters indicou que a decisão foi provocada por um alerta enviado pelo Irã a vizinhos de que locais estratégicos podem ser alvo de retaliação caso Trump decida conduzir um ataque ao território iraniano. No cenário internacional, as autoridades continuam observando com cautela: há quem aponte para sinais de possível ataque iminente, enquanto outros sugerem que Washington pode estar buscando manter adversários em alerta — uma tática de imprevisibilidade que alguns chamam de parte da estratégia.
Por aqui, o tom de Trump tem sido mais comedido nos últimos dias, com o presidente dizendo que prefere adotar uma postura de “esperar para ver”. Enquanto isso, a atual crise interna do Irã — que já deixou milhares de mortos e dezenas de milhares de prisões — segue moldando o debate sobre o que pode acontecer a seguir, tanto no terreno político quanto no econômico e diplomático. E, no fim das contas, o que isso muda para quem acompanha as notícias de perto e pensa no dia a dia do mercado, da energia e das relações internacionais?