EXCLUSIVO-EUA aumentam pressão sobre Venezuela com ameaça de indiciar nova líder Delcy Rodríguez
O governo americano estaria preparando um caso criminal contra a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, como parte de uma estratégia para fortalecer a influência sobre Caracas. A operação envolve potenciais acusações por corrupção e lavagem de dinheiro, com foco em ativos da PDVSA entre 2021 e 2025.
No epicentro dessa movimentação, documentos em elaboração apontam que promotores federais no distrito de Miami estão estruturando uma acusação preliminar que pode chegar às mãos de um promotor de justiça, caso normas processuais permitam. A linha de investigação, conforme fontes próximas ao caso, envolve lavagem de dinheiro e corrupção, conectadas a fundos da estatal petrolífera PDVSA e atividades entre 2021 e 2025. Enquanto isso, o Ministério da Justiça dos EUA mantém discrição sobre o andamento do caso.
Além disso, o movimento ganha contornos políticos. Em meio ao esforço técnico de redigir as acusações, o vice-procurador-geral Todd Blanche reagiu a uma publicação anterior com uma declaração veemente em redes sociais: “Completamente FALSO”, negando qualquer relação com o que a Reuters reportou. A agência, por sua vez, manteve a linha de que o Departamento de Justiça está, sim, preparando uma acusação contra Delcy Rodríguez. Nesta troca de versões, o tom institucional ficou mais áspero do que simples especulações.
Para além da investigação em si, autoridades norte-americanas teriam apresentado a Rodríguez uma lista de ex‑autoridades venezuelanas, associadas e familiares, que, caso permaneçam soltas ou sob custódia venezuelana, poderiam dificultar eventual extradição. A contextualização veio à tona pela primeira vez por meio de um veículo espanhol, que citou o interesse dos EUA em trazer à tona casos anteriores para pressionar o governo atual. Em diálogo, o gabinete de Rodríguez e o governo da Venezuela não comentaram o conteúdo, deixando a pauta sob silêncio oficial.
No dia a dia, essa estratégia não acontece isoladamente. A história recente de Venezuela, marcada pela operação relâmpago que capturou Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em janeiro, ainda reverbera. O novo curso da administração de Rodríguez, ex‑vice-presidente de Maduro, é visto em Washington como uma tentativa de consolidar estabilidade a favor de interesses norte‑americanos, especialmente no que diz respeito ao acesso de empresas internacionais às reservas petrolíferas do país membro da OPEP. Enquanto isso, a oposição nacional observa com cautela o que parece ser uma dança entre acordos estratégicos e pressões legais.
Entre os nomes de destaque que integram a discussão, aparecem figuras de peso econômico e político. O empresário Alex Saab, de atuação financeira próxima a Maduro, figura entre os citados como potencial alvo de ações norte‑americanas, com relatos de que sua atividade envolveu operações de amplo alcance financeiro. A situação se complicou por episódios envolvendo a Interpol e uma trajetória que o levou a Cuba e de volta aos EUA, com uma eventual reavaliação de acusações sob sigilo. Além disso, o magnata da mídia Raul Gorrín também está no radar de autoridades norte‑americanos por pressões ligadas a suborno, lavagem de dinheiro e corrupção, vinculadas à PDVSA.
No cenário legal, o status de Saab continua sob avaliação. Alguns relatos indicam que ele já enfrentou acusações nos EUA por desvio de recursos vinculados a um esquema de construção de moradias, embora a transferência dele entre jurisdições tenha deixado lacunas sobre sua situação atual. O que se sabe com clareza é que o caminho de Saab envolve possível cooperação com autoridades norte‑americanas, o que poderia turbinar os holofotes sobre o que acontece na Venezuela. Enquanto isso, a adversidade jurídica se sustenta, com a lei venezuelana dificultando extradições de cidadãos do país, acrescentando camadas de complexidade ao cenário.
Entre outras peças do quebra‑cabeça, destacam‑se as menções a Cabello e Padrino, membros-chave do governo anterior e alvo de investigações norte‑americanas ao longo dos anos. Cabello e Padrino, ambos reformulados por novas lideranças, ainda ocupam posições relevantes no governo venezuelano, enquanto nega‑se qualquer irregularidade de forma consistente. Na prática, o objetivo estratégico dos EUA parece ser fortalecer um conjunto de incentivos que leve autoridades venezuelanas, antes leais a Maduro, a evoluir seus compromissos com os interesses dos EUA, incluindo aspectos ligados ao petróleo venezolano.
Em resposta, o Ministério das Comunicações da Venezuela não forneceu respostas às perguntas de imprensa sobre as acusações em curso, mantendo o governo na linha de não confirmar nem negar os relatos que chegam de fora. A magnitude das ações propostas — e o fato de várias autoridades envolvidas terem vínculos históricos com o PSUV — alimentam uma leitura de que estamos diante de uma pressão multilateral, que combina elementos jurídicos, diplomáticos e econômicos para moldar o tabuleiro venezuelano, no que se pode chamar de uma estratégia de influência realista, com reflexos em quem consome energia diariamente.
No fim das contas, leitores comuns precisam entender que, se confirmadas, essas investidas legais não apenas visam Delcy Rodríguez, mas também o alinhamento político e econômico da Venezuela com as pressões e preferências de Washington. E, no dia a dia, isso pode significar mudanças gradativas no ambiente de negócios, no fluxo de petróleo e no tom das negociações com empresas internacionais interessadas no país. Mas o que muda na prática? Ainda é cedo para dizer, já que a burocracia jurídica e as estratégias políticas costumam se desdobrar com o tempo, em ritmos que não seguem pressa de manchetes.