EUA e Israel lançam ataque contra o Irã; o que se sabe
Donald Trump confirmou que “grandes operações de combate” estão em andamento.
Em meio a rápidas mudanças no cenário do Oriente Médio, os Estados Unidos e Israel colocaram em prática uma ofensiva coordenada contra o Irã na manhã de sábado (28/2). Logo depois, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, havia sido morto durante os bombardeios. A notícia reverberou pelo mundo, alimentando especulações sobre como o conflito pode se desenrolar nas próximas horas.
O governo iraniano confirmou a morte de Khamenei, divulgando que ele foi vitimado em seu escritório, durante o exercício de suas funções, segundo um comunicado do Conselho Supremo de Segurança Nacional. Enquanto isso, a BBC Verify utilizou imagens de satélite para apontar danos significativos no complexo da Casa da Liderança, onde ficava o gabinete do líder iraniano, resultado de ataques conjuntos entre EUA e Israel.
Em meio ao choque, a imprensa estatal iraniana informou que a morte do líder levou o país a decretar um período de luto de 40 dias. E a Assembleia de Peritos — o conselho de clérigos responsável pela nomeação do sucessor — deverá agir com a maior brevidade possível. No domingo (1/3), Alireza Arafi foi indicado como líder supremo interino, integrando o grupo de religiosos que vai conduzir as funções até a eleição de um novo chefe religioso.
Trump, por sua vez, descreveu Ali Khamenei como “uma das pessoas mais perversas da história” e declarou que a oportunidade para os iranianos substituírem o regime seria “a maior” de gerações. Ele também prometeu reduzir a indústria de mísseis do Irã a pó e aniquilar a Marinha iraniana — um tom de ameaça que acendeu ainda mais a tensão. No domingo, após a confirmação da morte, o Irã informou que voltaria a atacar Israel e bases americanas no Oriente Médio, retomando os bombardeios como retaliação.
Enquanto o fogo cruzado se intensificava, o Irã divulgou uma série de ações retaliatórias. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou que a ofensiva “vai em frente” e que as hostilidades continuariam, incluindo ataques a alvos em território israelense e a bases ligadas aos EUA na região. Como parte das consequências, houve relatos de bombardeios em Dubai, Doha, no Catar, Bahrain e Kuwait. A Força de Defesa de Israel informou que respondeu com ataques amplos para consolidar superioridade aérea, mirados em posições associadas ao governo iraniano no “coração de Teerã”.
O impacto imediato não ficou restrito ao conflito militar. Testemunhos de saúde pública e de habitantes apontaram um cenário de desespero, com explosões ouvidas em Teerã e outras cidades, além de imagens que mostravam prédios danificados, fumaça e relatos de vítimas. Segundo a Cruz Vermelha iraniana, o primeiro dia registrou um número expressivo de vítimas, com centenas de mortos e feridos em várias regiões, incluindo uma escola primária feminina no sul do país. A cobertura foi dificultada pela interrupção generalizada de serviços de internet no Irã, observada pela NetBlocks, que monitorou o bloqueio prolongado.
Para entender o que acontece a seguir, vale lembrar os desdobramentos anteriores: o Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano prometeu uma “reposta esmagadora” e o Irã destacou que manteria a população informada, ao mesmo tempo em que orientava cidadãos a se manterem em áreas seguras. O governo também sinalizou que ações poderiam continuar em Teerã e outras cidades, mantendo bancos operando com capacidade reduzida e escolas e universidades fechadas para evitar riscos maiores. Em termos de infraestrutura, o país confirmou que o tráfico de internet ficaria quase pela metade, refletindo um bloqueio amplificado pela crise.
Do ponto de vista global, as reações foram mistas, com condenações e apelos à contenção. O Brasil, por meio do Itamaraty, manifestou preocupação com a escalada de hostilidades, defendendo o respeito ao direito internacional e o cuidado com a população civil. Países europeus — Reino Unido, Alemanha e França — emitiram nota conjunta pedindo contenção e a busca por soluções diplomáticas, enfatizando a necessidade de evitar uma escalada ainda maior. A China também pediu o imediato fim das ações militares e o retorno ao diálogo, destacando a soberania iraniana. Do outro lado, a União Europeia manteve seu tom firme na defesa de sanções e do pacto nuclear, ao passo que a Rússia defendeu soluções políticas e diplomáticas, afirmando que as ações dos EUA e de Israel violam o direito internacional.
Quanto ao programa nuclear iraniano, o cenário continua incerto. Após ataques anteriores, as instalações-chave foram atingidas em junho do ano anterior, e as consequências ainda são objeto de avaliação — inclusive quanto ao estoque de urânio enriquecido e à possibilidade de retomar atividades de enriquecimento. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) manteve cautela, observando que parte do estoque continua sob vigilância, enquanto instalações não atingidas permanecem sob escrutínio internacional. As autoridades iranianas lembraram que, embora as negociações com Washington estivessem em curso, os ataques ocorreram durante esse processo diplomático, o que complica a busca por consensos.
No fim das contas, leitores, seguimos atentos ao desdobramento dessa crise: o que começa como uma ofensiva militar pode exigir avaliações rápidas sobre consequências humanitárias, econômicas e geopolíticas para a região e para o mundo. Em meio a tanta incerteza, o que fica: a necessidade de diálogo, de contenção e de um caminho que preserve a vida civil e busque soluções pacíficas.