Estudo aponta teto de Flávio Bolsonaro e amplia dúvidas da direita

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Pesquisa revela o ‘teto’ de Flávio Bolsonaro e amplia as dúvidas na direita, diz cientista político

Levantamento da Quaest mostra rejeição elevada e reforça a percepção de que a polarização pode favorecer Lula em 2026

Um retrato pouco otimista para o campo conservador emerge da primeira grande pesquisa eleitoral de 2026. Embora haja, de modo modesto, um leve crescimento nas intenções de voto, o senador Flávio Bolsonaro aparece como o nome mais viável para a direita, ao mesmo tempo em que registra a maior rejeição entre os principais concorrentes. Já o cenário para a liderança de Lula continua estável, mas é marcado por um teto aparentemente difícil de romper.

Para o cientista político Elias Tavares, entrevistado no programa Ponto de Vista, o dado central não é apenas a liderança de Lula, mas a constatação de que os polos da disputa parecem já ter atingido seus limites eleitorais. A leitura dos cenários aponta que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro operam próximos de seus tetos — Lula girando por volta de 40% e Flávio enfrentando um teto que pode frear avanços significativos.

“Essa rejeição transforma o potencial eleitoral do Flávio muito provavelmente no teto dele”, resume o analista. E a pergunta que fica é: por que Flávio Bolsonaro acabou virando o candidato que Lula mais prefere enfrentar? Em termos práticos, se a direita decidir concentrar forças apenas em Flávio, tudo indica que o segundo turno ficará menos disputado para o atual presidente. “Se for a candidatura do Flávio, ela pode se tornar o sonho de Lula para esse embate”, completa Tavares.

Existe espaço para uma guinada de Flávio Bolsonaro? Em teoria, sim. Na prática, o tempo joga contra. O pesquisador lembra que, em 2022, Bolsonaro conseguiu reduzir a rejeição, mas o fez com a máquina institucional da Presidência e os recursos do cargo. Flávio, como postulante de oposição, não dispõe desses instrumentos. Além disso, qualquer tentativa de moderação exigiria abandonar a lógica do bolsonarismo raiz — justamente o componente que sustenta hoje a candidatura.

O papel do Centrão — e a possibilidade de um nome menos radical — também é pauta de tensão. A resistência já é pública. Lideranças estratégicas têm sinalizado desconforto com um discurso mais duro e pouco capaz de agregar. O presidente do Progressistas, Ciro Nogueira, deixou claro que só contemplaria apoio a Flávio se ele adotasse um tom de pacificação e fosse capaz de ampliar as alianças. Até o momento, esse movimento não ocorreu.

A pesquisa sinaliza ainda outra possibilidade: Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, aparece com rejeição menor e desempenho competitivo quando o cenário envolve o segundo turno contra Lula. Para Elias Tavares, a grande incógnita dos próximos meses é entender se os partidos vão pressionar o paulista a entrar na disputa com o objetivo de frear a consolidação de Flávio Bolsonaro. “A grande questão será justamente essa: Tarcísio ou não Tarcísio?”

O que a sondagem revela sobre 2026 vai além de números de voto. Ela aponta um impasse estratégico: a polarização continua dominante, a terceira via permanece delicada, e a direita ainda não definiu se prefere manter a lealdade à sua base ou apostar em um nome capaz de vencer — mesmo que isso esvazie a identidade de campanha tradicional.

Enquanto isso, Lula observa o tabuleiro com a vantagem de quem já conhece bem o adversário. A leitura é de que o próximo ciclo poderá exigir mais do que uma simples vitória de imagem: exigirá planejamento, alianças mais amplas e uma leitura apurada do que funciona no dia a dia da política para além das lideranças de postura radical.

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Jornalista

Renata Oliveira

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