Médicos de Bolsonaro avaliam procedimento incomum para crise de soluço
O ex-presidente pode passar por um bloqueio anestésico do nervo frênico após a cirurgia de hérnia, uma opção não usual para tratar soluços, avaliada pela equipe médica.
No radar da equipe médica que acompanha Jair Bolsonaro, surge uma alternativa pouco comum para lidar com as crises de soluço que o afetam há dias. Um bloqueio anestésico do nervo frênico, responsável por inervar o diafragma, está sendo considerado como uma opção de tratamento. A ideia foi apresentada pelo cirurgião Cláudio Birolini, que conduzirá o procedimento, em entrevista para a imprensa. Segundo ele, embora seja uma prática não habitual para soluços, os médicos querem avaliar se o benefício supera o risco neste caso específico.
A estratégia aparece no contexto de uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral que, conforme a equipe, deverá ocorrer nos próximos dias. A ideia é fazer o bloqueio somente após a recuperação de uma cirurgia anterior — a correção da hérnia, marcada para esta quinta-feira —, e não como parte da cirurgia de hérnia em si. A estimativa é de que a operação de hérnia tenha duração entre 3 e 4 horas, com o ex-presidente internado por 5 a 7 dias após o procedimento.
“Está previsto o bloqueio anestésico do nervo frênico, que é uma anestesia do nervo que inerva o diafragma. Depois da cirurgia de hérnia, vamos reavaliar a situação e ver se convém fazer esse bloqueio anestésico, que é um procedimento relativamente seguro, mas não é o padrão de tratamento de soluço, então a gente precisa ver se o benefício justifica o risco”, explicou Birolini. Em síntese, não se trata de curar o soluço pela cirurgia, mas de avaliar se esse bloqueio pode ajudar a controlar as crises em cena.
Na prática, a equipe ressalta que a cirurgia de hérnia de abril, executada de forma emergencial, trouxe inúmeras e variáveis sob controle médico que não se repetem neste novo cenário. A intervenção anterior envolveu a correção das hérnias que deformavam o abdômen de Bolsonaro, com a colocação de uma tela que ocupa toda a parede abdominal anterior. Isso, segundo o cirurgião, acabou contribuindo para uma elevação da pressão intraabdominal, cenário que se relaciona com as crises de soluço que o acompanham.
“Essa situação gerou uma fraqueza na parede abdominal na região ingual. O aumento da pressão abdominal derivado da cirurgia e das crises de soluço fez com que essa fraqueza se manifestasse clinicamente por meio de uma hérnia ingual. Daí a necessidade da cirurgia”, detalha Birolini, ao explicar que o bloqueio não entra como substituto da intervenção cirúrgica, mas como complemento no manejo do soluço.
Além dos aspectos técnicos, há uma dimensão clínica importante para o dia a dia do ex-presidente. O cardiologista Brasil Ramos Caiado aponta que Bolsonaro apresenta quadros de depressão e ansiedade pré-operatórios, potencializados pela preocupação prévia à cirurgia. “O presidente está deprimido, um pouco pela situação que ele está passando, e bastante ansioso. A ansiedade facilita episódios de soluço, que atrapalham o sono dele”, conta o médico, que também observa que Bolsonaro está medicado tanto para as crises de soluço quanto para questões de saúde mental.
Questionado sobre eventuais cuidados complementares após a internação, Birolini afirma que a equipe médica poderá solicitar assistência de enfermagem, médico ou fisioterapeuta, se houver necessidade durante a permanência na carceragem. O caminho, no entendimento dos profissionais, é assegurar condições adequadas de atendimento conforme o quadro evoluir, sem comprometer a continuidade da rotina de recuperação do ex-presidente.
No dia a dia, a notícia desperta curiosidade: como um procedimento não convencional pode impactar o manejo de sintomas como soluço em um contexto protegido por cuidados médicos especializados? A resposta, para leitores atentos, está justamente na ideia de equilíbrio entre benefício clínica e risco, sempre com a prioridade de manter a qualidade de vida e o conforto durante a recuperação.
Por fim, o que fica é a percepção de que, mesmo diante de acontecimentos de alto perfil, a prática médica busca opções embasadas, avaliadas com cautela e apresentadas de forma transparente. No fim das contas, a meta é acompanhar o quadro de bem-estar do ex-presidente de perto, avaliando os passos que podem contribuir para uma recuperação estável e, se possível, menos intrusiva para o dia a dia dele.