Para eleitores, Congresso não pode continuar como está

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Para eleitores, Congresso não pode continuar “do jeito que está”

Lula segue como favorito nas sondagens e, ao mesmo tempo, lidera a rejeição entre o eleitorado, com Flávio Bolsonaro como o único concorrente que aparece com repúdio relevante.

Com o ritmo acelerado da temporada eleitoral, o cenário se desenha em torno de dois fios condutores: o favoritismo de Lula nas pesquisas e a dificuldade de mudar o Congresso sem uma guinada estrutural na Câmara e no Senado. Na prática, a maioria dos eleitores entende que apenas trocar o presidente não basta se o Legislativo não passar por mudanças significativas.

Além disso, a batalha pelo Palácio do Planalto não ocorre isoladamente. O filho-senador do ex-presidente, Flávio Bolsonaro, é visto como o adversário mais bem posicionado para dificultar uma consolidação absoluta de liderança de Lula. Entre os motivos citados, está o tom radical que ele busca dissimular, ainda que a percepção pública muitas vezes capte esse posicionamento como um entrave à governabilidade.

Na prática, Lula e Flávio se mantém isolados no topo das curvas de rejeição, quando o eleitorado declara que não votaria neles. Ao longo do tempo, a rejeição a Lula ficou entre 49% e 57%, segundo o histórico de levantamentos da Quaest, sinalizando uma resistência persistente mesmo com vantagem nas intenções de voto.

Por outro lado, o representante de uma das famílias políticas mais marcantes do país aparece com taxas entre 55% e 60% há cerca de meio ano, o que ajuda a explicar por que a disputa pelo Congresso se apresenta tão decisiva. Em resumo, o equilíbrio entre aprovação e rejeição no cenário federal influencia diretamente o desfecho das eleições para o Legislativo.

Parte da explicação para esse quadro de rejeição prolongada pode estar ligada à avaliação negativa do governo, feita por cerca de quatro em cada dez eleitores, conforme o levantamento mais recente da parceria Meio/Ideia. No dia a dia, essa percepção dificulta a formação de coalizões e reforça a ideia de que o Congresso terá papel central na continuidade ou na mudança do ciclo político.

Com o ritmo da campanha acelerando após o Carnaval, surge a dúvida: metade do eleitorado vai manter o repúdio a Lula e a Flávio Bolsonaro, ou parte dessa aversão pode migrar para outros nomes? No fim das contas, a definição do Congresso tende a ditar o tom das eleições de outubro e, por consequência, a percepção de governabilidade para quem chegar ao Palácio do Planalto.

A menos de oito meses das urnas, as certezas não são muitas, mas um dado recente ajuda a entender o cenário: na leitura mais recente da Real Time Big Data, 76% dos entrevistados concordaram com a afirmação “De nada adianta mudar o presidente, se o Congresso continuar do jeito que está”.

Em resumo, a batalha pelo Congresso promete ser um capítulo intenso nas eleições gerais, com impactos diretos na governabilidade e no dia a dia do eleitor.

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Jornalista

Lucas Almeida

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