Eleições à vista: quase dois terços dos ministros deixarão o governo

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Com eleições à vista, quase dois terços dos ministros devem deixar governo

O cenário eleitoral aproxima-se e, com ele, a necessidade de reorganizar o primeiro escalão do governo. A ideia é manter o andamento das ações já em curso, sem fazer grandes nomeações políticas neste ano de disputa, mas com ajustes para fortalecer as estratégias do PT.

No dia a dia de Brasília, a conclusão é clara: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá de promover mudanças expressivas no time de ministros nos próximos meses. O objetivo é abrir espaço para quem possa concorrer às eleições de outubro ou, ainda, para reforçar campanhas partidárias sem interromper o andamento das políticas públicas já em curso. Além disso, há a orientação de que os titulares deixem as funções para disputar cargos eletivos ou apoiar a reestruturação das próprias equipes ao longo de 2026.

A sinalização é de que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, será o primeiro a partir, com anúncio de saída já previsto para fevereiro. A vaga, por sua vez, deverá ficar com o atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan. Haddad não esconde que não quer se lançar neste ano, mas afirma que continuará contribuindo com a campanha pela reeleição. Ele também é visto como peça-chave para a construção de um palanque forte em São Paulo, onde o PT trabalha para consolidar força política.

Na prática, o que se discute nos bastidores envolve a formação de uma chapa capaz de manter o equilíbrio entre ministérios e Estados. Entre os nomes que aparecem como possibilidades para compor o time de apoio a alguma chapa no cenário paulista estão a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, com a ideia de também reunir o ministro do Empreendedorismo, Márcio França, e até o vice-presidente Geraldo Alckmin. Contudo, tudo depende da disposição de cada um e da disposição do conjunto para o encaixe.

Quem mais pode deixar o governo? Pelo menos sete ministros estariam mirando vagas no Senado, incluindo o chefe da Casa Civil, Rui Costa, que deve compor uma aliança na Bahia com Jaques Wagner e Jerônimo Rodrigues. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, aceitou o desafio de enfrentar uma eleição difícil no Paraná, mirando o Senado. Entre os que pretendem seguir para o Legislativo, nomes como Jader Filho (Cidade) e Anielle Franco (Igualdade Racial) aparecem como prováveis candidatos a deputado federal. Já o Transporte Renan Filho já confirmou planos de concorrer ao governo de Alagoas.

Outros movimentos indicam que Camilo Santana (Educação) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação) também deixarão seus cargos para reforçar as campanhas. Sidônio deve retornar como marqueteiro de Lula, enquanto Camilo aposta na disputa pela reeleição do governador Elmano de Freitas, após Ciro Gomes decidir buscar novamente o governo do estado.

O elenco de mudanças, claro, depende da disposição de cada ministro envolvido e da estratégia do governo para manter o ritmo das políticas em vigor. No fim das contas, trata-se de alinhar competição eleitoral com continuidade de ações — uma equação que promete movimentar o tabuleiro político nos próximos meses.

  • Marina Silva (Meio Ambiente) e Simone Tebet (Planejamento) aparecem entre as opções para ampliar o palanque paulista, junto com o Marcio França (Empreendedorismo) e até o vice-presidente Geraldo Alckmin.

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Jornalista

Ana Martins

Designer de interiores apaixonada por achados acessíveis. Adora transformar espaços sem estourar o orçamento e compartilhar cada descoberta.

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