Doge vive: boatos à parte, Musk opera e move reformas no setor público

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DOGE não morreu! Apesar de rumores, órgão de Musk segue operando e impulsiona reformas no setor público

Operativos do DOGE seguem em funções estratégicas e influenciam reformas internas no governo de Donald Trump

No dia a dia da burocracia americana, uma notícia que parece ter ficado para trás volta a ganhar força: o DOGE, a estrutura associada a Elon Musk, continua ativo e, na prática, está mais difundido do que nunca dentro de várias áreas estratégicas do governo. Ao contrário da ideia de que o grupo teria sido desfeito, fontes internas descrevem uma operação que não apenas persiste, mas se espalha por diferentes setores, com atuação menos visível, porém mais integrada.

Segundo relatos, o DOGE deixou de atuar de modo centralizado para ganhar presença distribuída entre departamentos-chave. Além disso, a ideia de austeridade administrativa parece guiar essa nova configuração: equipes técnicas e de gestão são renovadas, com foco em eficiência e redução de gargalos. Nesse cenário, o grupo aparece em frentes que vão além do puro ativismo digital, influenciando decisões que impactam rotinas, políticas e processos internos do governo.

Entre os órgãos onde a presença do DOGE se faz sentir, a leitura de especialistas aponta para a atuação em áreas como o Tesouro, o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), o CDC (Centro de Controle de Doenças) e o OMB (Escritório de Gestão e Orçamento). O movimento ganha relevância ainda com a criação de um espaço chamado National Design Studio (NDS), sediado dentro do próprio Executive Office of the President, que agregaria gestores de design e tecnologia para alinhavar projetos de IA e inovação pública. Mas o que isso muda na prática para o cidadão comum?

No material que circula entre analistas, destaca-se a publicação de imagens por um dos nomes mais notórios do grupo, o Yat Choi, que mostra uma rotina compartilhada com integrantes da administração atual. O conteúdo sugere que o DOGE continua ativo em frentes que incluem desde a organização de projetos até a supervisão de iniciativas que passam pela modernização de sistemas públicos. Um dos sistemas destacados para reforma envolve a própria gestão de aposentadorias processadas em infraestrutura tecnológica estatal, um dos pilares para uma administração mais ágil e menos burocrática.

Operativos do DOGE permanecem em cargos-chave, mantendo vínculos com figuras que já estão relacionadas ao ecossistema Musk. Entre os nomes citados, aparecem Edward Coristine, Gavin Kliger, Marko Elez, Akash Bobba e Ethan Shaotran, todos com atuação vinculada a funções de design, engenharia e gestão de projetos dentro do aparato governamental. Além deles, há vínculos com empresas associadas a Elon Musk — incluindo SpaceX e xAI — que, segundo informações, continuam envolvendo-se como designers, engenheiros e gestores de iniciativas estratégicas do governo. Isso reforça a ideia de que a presença do DOGE não é apenas simbólica, mas integrada à máquina pública em vários níveis.

No campo técnico, o DOGE tem espaço de atuação no interior do IRS (Receita Federal dos EUA), onde a implementação de testes de codificação aplicados a centenas de profissionais de TI foi promovida por Sam Corcos, diretor de informação do Tesouro e figura associada ao grupo. Os testes, aplicados por plataformas como HackerRank, teriam o objetivo de adotar um modelo de avaliação comum às empresas do Vale do Silício, como parte de um amplo caminho de “modernização” da área de TI da Receita, que movimenta milhares de funcionários. O que se percebe, no entanto, é que esse tipo de avaliação ainda suscita estranheza entre trabalhadores que já estavam contratados, gerando questionamentos sobre a aplicação de novos padrões de desempenho.

Além desse movimento técnico, o DOGE amplia sua atuação para além da área de finanças. Em outros cenários dentro do governo, trabalhos semelhantes indicam um olhar para regulação baseada em IA, com a criação de aplicações para eliminar entraves regulatórios, além de novas posições que aproximam o design da gestão pública. No conjunto, observa-se a criação de cargos estratégicos que misturam visão de produto, engenharia e políticas públicas. No CDC, por exemplo, uma pessoa associada ao grupo passou a ocupar posição de maior responsabilidade, sem, contudo, ter um histórico tradicional na área de saúde pública. No conjunto, a tendência parece ser a de manter o time coeso, mas com uma presença que se deslocou para funções de liderança e coordenação.

Enquanto isso, o ecossistema de Musk continua a atrair nomes conhecidos pela indústria de tecnologia. Entre eles, o cofundador do Airbnb, Joe Gebbia, aparece em posições de design estratégico no nascente National Design Studio, tarefa que envolve modernizar plataformas de IA voltadas à pesquisa científica. Em paralelo, outros nomes que já estiveram ligados à equipe antiga do DOGE afirmam ter participação na construção de identidades visuais e sites de missões federais, como a iniciativa chamada Genesis, que mira plataformas de IA para pesquisa científica. O desenrolar dessas mudanças ocorre num momento em que o governo americano passa por transformações de pessoal em áreas sensíveis, como prevenção de doenças, com ajustes que impactam a composição técnica das equipes.

Diante de reportagens que sugeriam o fim do DOGE, muitos observadores destacam que a estrutura não desapareceu; ao contrário, adotou uma configuração menos visível, porém mais estratégica e distribuída. A própria equipe por trás do grupo negou rumores, argumentando que contratos continuam, com ganhos de eficiência reconhecidos em semanas recentes. Em entrevistas concedidas a podcasts, Elon Musk sinalizou que o DOGE permanece “em andamento”, enfatizando que a ausência de uma liderança centralizada pode ser justamente uma forma de evitar que críticas se concentrem em uma única figura. Mas, afinal, o que muda para o cotidiano do cidadão?

Na prática, a leitura interna é de que o DOGE evoluiu para uma operação mais inteligente e coordenada, sem abrir mão dos seus princípios de reduzir desperdícios, acelerar processos e incorporar práticas de eficiência do setor privado nas estruturas públicas. No fim das contas, a mensagem é clara: o DOGE continua atuante, apenas com um formato mais distribuído, que busca impactar o governo de modo sutil, mas contínuo, ajudando a lapidar políticas e projetos com uma lente de inovação.

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Jornalista

André Santos

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