Como foi deposição de Maduro: a linha do tempo do ataque de Trump à Venezuela
Relembre como foi a operação que acabou com a deposição de Nicolás Maduro e entenda o que aconteceu desde então.
A notícia que dominou a manhã de sábado ganhou contornos de roteiro de cinema: Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados em Manhattan após uma missão relâmpago anunciada pelas autoridades americanas. O casal foi levado a um tribunal federal, com início previsto para o meio‑dia, no horário local, sob a mira de acusações que vão de conspiração narcoterrorista a importação de cocaína, passando por posse de armamentos pesados e dispositivos destrutivos. Do lado de fora, o anúncio chegou com a mesma firmeza de quem descreve um passo decisivo para o que os EUA chamam de uma transição segura, adequada e criteriosa do poder na Venezuela. E assim começou uma nova fase que mudou o mapa político da região.
No centro da operação está a alegação de meses de planejamento por parte dos Estados Unidos, com a designação “Operação Resolução Absoluta”. A narrativa oficial diz que, apesar do lançamento ter ocorrido em uma madrugada, a iniciativa não foi improvisada: foi o auge de uma composição que envolvia tropas, navios e aeronaves deslocados à região do Caribe, além de ações coordenadas de agências como a CIA, NSA e NGA. Enquanto isso, analistas destacam que o estudo do cotidiano de Maduro – seus deslocamentos, hábitos, até o tipo de ambiente ao redor de sua residência – entrou no radar dos estrategistas, para tornar a ofensiva mais assertiva.
O cerco duro, segundo as informações apresentadas, durou apenas algumas horas. As primeiras explosões foram registradas na madrugada, quando Caracas ainda dormia sob os apagões provocados pela interrupção no fornecimento de energia. Os militares americanos, ao se aproximarem do local onde Maduro se encontrava, encontraram resistência — mas a resposta dos helicópteros foi devastadora, em uma demostração de poder que motivou o entendimento de que o objetivo era a retirada rápida de um líder que já não parecia ter saída segura. A ideia era clara: a detenção de Maduro ocorreria de forma discreta, precisa e sob o sigilo do auge da noite.
Quem liderou o movimento foi o general John Daniel “Razin” Caine, chefe do Estado‑Maior Conjunto dos EUA. Em entrevista coletiva em um local inusitado — a residência do presidente em Mar‑a‑Lago —, o general descreveu a operação e o planejamento como “discretos e bem executados no momento mais sombrio da noite”. O relato acrescenta que, entre as etapas de preparação, figuraram o envio estratégico de tropas, navios e aeronaves, bem como a participação de agências de inteligência para mapear rotas, abrigos e rotinas de Maduro. Em meio aos detalhes de bastidores, o retrato que fica é de uma operação que combinou tecnologia, logística e surpresa.
Já na prática, a ação de exfiltrar Maduro e a primeira-dama revelou um cenário de alto risco. As dificuldades ficaram evidentes quando as forças falharam na primeira aproximação, levando a uma troca de tiros com resistência doméstica. Em meio a esse quadro, fontes indicaram que Maduro foi capturado por uma das unidades de elite do Exército, a Força Delta, conhecida por sua atuação antiterrorismo. A sequência prosseguiu com a transferência do casal para o USS Iwo Jima, de onde seguiram para território americano, sob escolta, até o destinário final. Uma imagem divulgada por Trump, mostrando Maduro em uma embarcação, despertou conversas sobre o que ocorria nos bastidores da operação.
No dia seguinte, a narrativa oficial ganhou contornos políticos mais fortes. O próprio Trump ocupou as redes com relatos da operação e detalhou que o governo americano passaria a “governar” a Venezuela até que uma transição estável fosse consolidada. Ao longo da tarde, o presidente reforçou a ideia de manter o controle até que haja uma passagem de bastão segura e ordeira, sem fixar prazos ou mecanismos operacionais específicos. Em paralelo, o secretário de Estado, Marco Rubio, sinalizou que os EUA manteriam o controle sobre a indústria petrolífera venezuelana — com a chamada “quarentena do petróleo” sobre navios sancionados — como uma forma de pressionar mudanças sem abrir mão da estratégia de longo prazo.
À medida que os eventos se desenrolavam, surgiram perguntas sobre o que ocorreria com Maduro. No sábado, imagens adicionais mostraram o líder venezuelano em New York, antes de ser levado para a Base Aérea de Stewart, no estado de Nova York, e depois para Manhattan, para uma audiência no escritório da Agência Antidrogas (DEA). Em seguida, a dupla foi transferida para o Brooklyn, com escolta policial. A agenda do fim de semana previa uma aparição em tribunal federal na segunda-feira, ao meio‑dia, hora local, no que seria o pontapé inicial de um processo que se espera prolongado nos debates jurídicos.
Paralelamente ao desfecho judicial, o cenário político venezuelano passou por movimentações rápidas. Delcy Rodríguez, escolhida por Maduro como vice e braço direito, começou a ocupar a posição de chefe de Estado diante da “ausência forçada” do mandatário. A nova presidente interina não escondeu o repúdio à operação dos EUA, descrevendo a captura como um sequestro ilegal e ilegítimo. Enquanto isso, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, pôs o Exército na linha de apoio à transição anunciada, alinhando-se a Rodríguez para manter a ordem interna. Já o próprio Trump insinuou, em tom de conversa, que Rodríguez poderia assumir a condução do governo após o desfecho da operação, mas mantendo o alinhamento com os interesses de Washington.
Da casa presidencial aos corredores da diplomacia, o tom foi de tensão, com Washington sinalizando que a transição poderia abrir espaço para uma reconfiguração regional. Em resposta, Rodríguez afirmou categoricamente que Maduro permanece como único presidente da Venezuela e que o país não se curvaria a pressões externas. A reação de Trump trouxe novos recados, inclusive alertas sobre consequências para quem não cooperasse com o “novo curso” venezuelano, o que gerou uma queda de expectativa sobre o futuro imediato do país.
Entre os desdobramentos, ninguém ficou sem comentários. María Corina Machado, líder da oposição, foi citada pelo presidente americano como alguém que não gozaria de apoio amplo entre o povo venezuelano. Em resposta, Machado defendeu uma coincidência institucional por meio de uma carta publicada nas redes, pedindo que Edmundo González assumisse a liderança imediatamente — um cenário que, na prática, reflete a fragmentação e a disputa que já vinham marcando a política venezuelana. O registro de que Cuba contribuía com guardas que protegiam Maduro acrescentou mais uma camada de complexidade ao quebra‑cabeça regional, ao lado das reações de outros aliados da Venezuela, como China, Rússia e Irã, que condenaram a intervenção.
As reações internacionais não ficaram de fora. Países da América Latina, inclusive o Brasil, e blocos europeus pediram moderação e alertaram para os riscos de uma escalada. Enquanto isso, o Papa Leão 14, em discurso no Vaticano, pediu prioridade para as necessidades do povo venezuelano e a preservação da dignidade humana. A União Europeia, por sua vez, exortou ao respeito à soberania e à autodeterminação do povo venezuelano, apesar de algumas divergências entre os membros. Em meio a tudo isso, o governo venezuelano manteve o discurso de defesa da soberania, enquanto potências eclipsadas como China, Rússia e Irã reafirmaram apoio político à Venezuela e pediram que o diálogo prevalecesse na busca por uma saída pacífica para a crise.
No que toca ao futuro imediato, a incerteza permanece. A ocupação temporária de espaços de poder, a reconfiguração institucional e a forma de relação com Washington são questões centrais que afetam não apenas as elites, mas o dia a dia da população venezuelana. E o leitor, no dia a dia, pode se perguntar: que impacto terá essa nova ordem para a estabilidade regional e para as economias do Caribe? Qual a leitura prática para quem vive do petróleo, do comércio e da cooperação entre países vizinhos? No fim das contas, a trajetória que começa neste capítulo vai moldar decisões, alianças e, principalmente, o futuro da Venezuela diante de um cenário internacional em constante mudança.