Delcy Rodríguez segue como presidente interina além do prazo

Ouvir esta notícia

Delcy Rodríguez mantém-se Presidente interina além do prazo

Delcy Rodríguez continua como Presidente interina, apesar de mandato de 90 dias ter terminado na sexta-feira passada. Votação pública para prolongar funções ainda não ocorreu.

No tabuleiro político da Venezuela, a figura de Delcy Rodríguez permanece firme na linha de frente, mesmo com o prazo constitucional já esgotado. A decisão do Supremo permitiu que a ausência de Nicolás Maduro, detido nos Estados Unidos, fosse preenchida de forma provisória, deixando no ar a dúvida sobre por quanto tempo a liderança do país ficará sob tutela interina. E, neste momento, não houve uma votação pública pela prorrogação do mandato — algo que acende o debate sobre o caminho institucional que o país irá tomar.

Segundo o que prevê a Constituição, as ausências temporárias do chefe de Estado devem ser cobertas pelo vice-presidente por um máximo de 90 dias. E, caso necessário, as nomeações interinas podem ser estendidas pela Assembleia Nacional por mais 90 dias. A leitura prática é de que, enquanto não houver uma solução clara sobre o futuro do poder, o gabinete de Rodríguez fica no centro do cenário, pronto para convocar eleições caso o cargo seja considerado vago de forma permanente.

Entre os bastidores, analistas apontam que as jogadas do governo não vêm apenas de uma leitura jurídica. Ronal Rodríguez, pesquisador do Observatório da Venezuela, destaca que, desde 2013, o aparato tem feito uso de interpretações para se manter em posição, e que pode haver algum artifício semelhante para justificar o que vier a acontecer. E ele adianta: é provável que haja explicações que convençam a decisão final do Supremo, ainda que pareçam contábeis ou circunstanciais — como datas santas ou contagem de dias — até que haja confirmação oficial.

Enquanto Maduro e Cilia Flores permanecem como figuras associadas ao regime, a detenção ocorrida em 3 de janeiro em Caracas, seguida da transferência para Nova Iorque para responder a acusações de tráfico de droga, continua a moldar o discurso nacional. Maduro e sua esposa defenderam a inocência frente às acusações, classificando a detenção como um sequestro. No dia a dia, esse episódio tensiona os atores políticos e reacende perguntas sobre quem, de fato, controla as chaves do poder.

Neste contexto, Rodríguez e outros líderes do entorno governista pediam a libertação do casal, destacando a leitura de um “sequestro” político. E, no plano externo, a ponte com Washington passou por mudanças significativas. A administração norte‑americana, que já tinha distanciado os EUA de reconhecer Maduro como líder legítimo desde 2019, resolveu abrir uma nova frente com Rodríguez, ao lado de um plano de normalizar relações. Desde então, a colaboração ganhou espaço para pôr fim à crise, promovendo o setor petrolífero com investidores internacionais e abrindo o caminho para a arbitragem internacional no setor de energia.

Além disso, Rodríguez passou a substituir altas autoridades, entre elas o ministro da Defesa e o procurador-geral ligados ao antigo governo. Em tom de reconhecimento, o presidente Donald Trump tem elogiado o trabalho da venezuelana com frequência. No cenário de desalinhamento entre os dois países, a semana passada trouxe um passo importante: o governo norte‑americano retirou Rodríguez de sua lista negra de sanções e voltou a aliviar gradualmente o embargo sobre o petróleo venezuelano. O breve aceno de normalização se completou com o anúncio da reabertura da embaixada dos EUA em Caracas, sete anos após o fechamento administrativo.

Enquanto isso, Rubio, secretário de Estado dos EUA, descreveu as ações recentes como “extraordinárias”, destacando que o caminho apontado pode levar a eleições livres e justas. Em paralelo, a decisão de não reconhecer Maduro como líder legítimo já tinha ganhado corpo em 2019, após um processo considerado amplamente manipulatório pela oposição, cujos candidatos não puderam participar das eleições. O desfecho desse conturbado capítulo pode ter impactos diretos no dia a dia dos venezuelanos, muito além dos gabinetes de decisão. Mas, no fim das contas, o que muda na prática para quem acompanha a rotina, o trabalho e as expectativas de futuro?

O que achou deste post?

Jornalista

Sarah Martins

Jornalista especializada em lifestyle e decoração. Responsável por criar guias, tutoriais e reviews que realmente ajudam nas escolhas.

AO VIVO Sintonizando...