Delcy Rodríguez diz que EUA a ameaçaram de morte
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Em meio a uma crise que envolve o destino de Nicolás Maduro, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que recebeu uma mensagem mortal de Washington. Segundo ela, os norte-americanos deram a ela, ao ministro da Administração Interna, Diosdado Cabello, e ao irmão da presidente, Jorge Rodríguez, apenas 15 minutos para confirmar se obedeceriam às ordens dos EUA após a captura do chefe de Estado venezuelano. O relato surgiu em um vídeo divulgado pelo coletivo jornalístico La Hora de Venezuela e compartilhado pelo El Español, com a reunião gravada de aliados do regime encabeçada pelo ministro das Comunicações, Freddy Ñañez, que aparece em uma chamada da presidente interina, proferindo palavras em tom alto por cerca de seis minutos, conforme registro do The Guardian.
De acordo com Delcy, as forças americanas teriam dito que Nicolás Maduro e a líder legislativa Cilia Flores haviam sido “assassinados, não raptados”, e que ela, o seu irmão e Cabello teriam respondido que estavam “prontos para compartilhar o mesmo destino”. Nessas falas, a Presidente interina ainda ressaltou que, às vezes, “dão-se passos táticos” e que, embora haja ações difíceis de entender, “se o inimigo tem uma estratégia, nós também a temos”.
Na mesma reunião, Ñáñez mencionou que “tudo o que está a acontecer agora”, incluindo a venda de petróleo, “é simplesmente o plano que Maduro pôs em cima da mesa”. Não é uma concessão, um presente ou uma derrota: vender petróleo aos EUA sempre foi o nosso plano. Além disso, ele contou que a estratégia envolve paciência e objetivos bem definidos, em especial para manter a paz, resgatar os nossos reféns e preservar o poder político, pedindo união entre irmãos e irmãs na prática cotidiana.
- Preservar a paz
- Resgatar os reféns
- Preservar o poder político
O The Guardian também aponta que Delcy, dois dias após a captura, foi empossada como substituta do ex-chefe de Estado. Segundo as fontes, houve participação de representantes do Qatar nas negociações com os Estados Unidos, com contatos que teriam se intensificado desde o outono. Além disso, uma tentativa frustrada, em novembro, de Trump conversar com Maduro para forçar a saída voluntária parece ter acelerado as tratativas. Em dezembro, Delcy teria dito a um interlocutor norte-americano que “colaboraria com o resultado que se apresentasse” – uma indicação de que as negociações já estavam em curso antes da ação direta.
No fim das contas, o episódio ilustra como as tensões entre Venezuela e EUA vão além de anúncios oficiais: o que se discute nos bastidores envolve alianças internacionais, comunicação estratégica e decisões que prometem repercussões diretas para a população.