Cubanos em Havana marcham tochas e bandeiras contra ameaças de Trump

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Com tochas e bandeiras, cubanos marcham em Havana em protesto contra ameaças de Trump

Manifestação ocorre semanas após uma operação americana em Caracas, que levou à queda de Nicolás Maduro, um aliado político e econômico de Cuba

Milhares de cubanos transformaram, nesta terça-feira, 27 de janeiro, uma marcha memorial em homenagem ao José Martí em um protesto que aponta as ameaças feitas pelo presidente Donald Trump contra a ilha. Chamadas de “marcha das tochas”, as cenas de Havana ganharam um tom claramente anti-imperialista, carregadas de faixas, cânticos e um clima de mobilização coletiva.

A caminhada ocorreu diante dos olhos de uma plateia que se reunia aos pés da Universidade de Havana, com a liderança do Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba, que participou da marcha em um trajeto de cerca de um quilômetro. Litza Elena González Desdín, presidente da Federação de Estudantes Universitários, destacou que o ato não é apenas uma lembrança do passado, mas um chamado à ação diante de tempos de tensão. “Este não é um ato de nostalgia, é uma convocação para defender a pátria em tempos de ameaça”, afirmou a liderança estudantil, em meio a aplausos da multidão.

Exaltando a figura de Martí, o movimento resgata a memória do histórico evento de 1953 organizado pelo jovem Fidel Castro, refletindo a ligação entre a luta pela independência e o atual cenário regional. A mobilização também se conecta a um contexto internacional complexo: semanas antes, a queda de Nicolás Maduro na Venezuela, após uma operação americana, movimentou as relações na região e reacendeu debates sobre alianças e sanções. Cuba, que enfrenta restrições há décadas, busca manter sua soberania diante de pressões externas e uma economia fortemente ligada ao petróleo venezuelano.

No ambiente diplomático, as declarações de Donald Trump e de assessores apontaram para diferentes cenários sobre o papel dos EUA na região. Em meio a sinalizações de intervenção, o discurso oficial cubano manteve o tom de firmeza: a ilha não abrirá mão de seus princípios de soberania, mesmo diante de pressões econômicas. Ao mesmo tempo, figuras americanas destacaram que os próximos passos dependem de escolhas políticas e de avaliação estratégica, sem descartar ações futuras.

No plano interno, o debate se estende para além das ruas de Havana: como a população comum percebe a tensão entre manter a resiliência econômica e defender a própria independência? As palavras dos organizadores reforçam a ideia de que, no dia a dia, a mobilidade social, a educação e o orgulho nacional permanecem como pontos centrais para quem participa dessas manifestações. Enquanto o mundo observa, a Cuba continua a buscar seu espaço numa geografia política instável, tentando transformar ameaça em uma pauta de soberania.

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Jornalista

Mariana Silva

Personal organizer que adora soluções práticas para casa. Especialista em maximizar espaços pequenos com produtos inteligentes.

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