Coronel deletou mensagens do celular de Gisele enquanto ela agonizava

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Coronel apagou mensagens no celular de Gisele enquanto ela agonizava

Última visualização no WhatsApp da PM Gisele aconteceu minutos depois da primeira ligação do tenente-coronel para o 190

Um conjunto de registros técnicos aponta que o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, preso sob suspeita de feminicídio da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, teria apagado mensagens do celular da vítima enquanto ela ainda agonizava após ter sido atingida por um disparo na cabeça. A conclusão inicial, segundo o inquérito, reforça a hipótese de que o criminoso tentou apagar evidências para embasar a própria versão de suicídio.

Conforme a perícia, o tiro ocorreu por volta das 7h28, segundo relatos de vizinhos que ouviram o estampido. Já a análise dos registros móveis indica que as últimas mensagens do casal teriam sido apagadas pelo próprio oficial pouco antes da primeira ligação para o 190. A investigação aponta, ainda, que o WhatsApp de Gisele esteve ativo pela última vez às 08h do dia em que houve a fatalidade.

A cronologia traçada pelas diligências mostra que o coronel tentou acionar a Polícia Militar entre 7h54 e 8h05, com ligações que foram recebidas ou rejeitadas, e, no mesmo intervalo, também procurou o Corpo de Bombeiros, às 8h05, alegando que a esposa havia cometido suicídio. No inquérito, essa versão foi confrontada por evidências que não respaldam a hipótese de suicídio.

No curso dos fatos, a morte de Gisele só foi oficialmente registrada às 12h04, após ela ter sido socorrida e levada ao Hospital das Clínicas. Já a prisão do oficial teve desdobramentos a partir de 17 de março, quando laudos técnicos derrubaram a narrativa de suicídio apresentada pelo marido. O coronel foi detido na manhã de 18 de março, em um condomínio de São José dos Campos, interior paulista, exatamente um mês após o falecimento da companheira. As provas periciais apontaram a inviabilidade da hipótese de suicídio e indicaram indícios de alterações na cena do crime.

Na etapa de perícia no celular da vítima, os técnicos puderam recuperar parte das mensagens trocadas com o companheiro, revelando uma atmosfera de tensão entre o casal. Segundo o relatório, os diálogos desmentem a versão de que Gisele não aceitava o fim do relacionamento e mostram que o indiciado manipulou o aparelho da esposa, apagando conversas para sustentar a narrativa de que seria ele quem solicitava a separação.

Horas antes do tiroteio, Gisele escreveu que concordava com o divórcio, deixando claro que não tinha dúvidas sobre a decisão de seguir adiante. “Tem todo o direito de pedir o divórcio… Pode entrar com o pedido essa semana”, descreveu, sem deixar margem para dúvidas sobre o que pretendia. A partir dessas mensagens, a investigação aponta para uma linha de conduta que não se coaduna com a versão de suicídio apresentada pelo marido.

No fim das contas, o que emerge deste caso é a importância das evidências digitais para elucidar crimes de violência dentro do lar. Além de mostrar como a comunicação eletrônica pode recolher pistas valiosas, a apuração também revela como manipulações de dispositivos podem complicar cenários e exigir uma leitura cuidadosa das provas. O desfecho, ainda em curso, reforça a necessidade de rigor técnico para entender o que aconteceu nos momentos cruciais daquela manhã na capital paulista.

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Jornalista

Mariana Silva

Personal organizer que adora soluções práticas para casa. Especialista em maximizar espaços pequenos com produtos inteligentes.

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