Conselham Lula a indicar Messias ao Congresso sem vitória garantida

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Lula é aconselhado a enviar nome de Messias ao Congresso mesmo sem garantia de vitória

Indicado para suceder a Luís Roberto Barroso, advogado-geral da União enfrenta falta de votos e resistência do presidente do Senado

No olho do jogo político, interlocutores próximos ao Palácio do Planalto defendem uma estratégia arrojada: encaminhar de imediato ao Senado o nome do Jorge Messias, o atual advogado-geral da União, para concorrer a uma vaga no STF, mesmo diante da dúvida sobre a obtenção dos 41 apoios necessários. A ideia é manter o tema vivo, ganhar tempo e, ao mesmo tempo, mobilizar ministros da Corte para atuar nos bastidores a favor da aprovação antes que as atenções se voltem para as atividades eleitorais.

Por outro lado, o cenário não é simples. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ainda não marcou a sabatina do indicado, abrindo espaço para a dúvida sobre a possibilidade de obter o quorum e cumprir o rito de confirmação. Em ano eleitoral, com o próprio Lula em um cenário de empate técnico com o senador Flávio Bolsonaro nas simulações de segundo turno, essa aposta ganha contornos de risco político, já que uma sabatina sem votos firmes pode transformar-se em atraso permanente.

No calendário tenso do momento, há quem argumente que formalizar a indicação pode provocar um movimento entre os demais ministros da Suprema Corte para pressionar os senadores — ou, no mínimo, evitar que o nome fique à mercê de uma derrota que derrube a tradição de indicações aprovadas pelo Senado. E, no pior dos cenários, caso Lula saia derrotado nas urnas, o indicado poderia acabar abandonado sem apoio, quebrando um costume histórico de aprovação de indicados ao STF.

Essa leitura é reforçada por bastidores que lembram que, em 2022, houve outra leva de avaliações de indicações ao STJ envolvendo os desembargadores Messod Azulay Neto e Paulo Sérgio Domingues, o que acentuou o clima de pressão e negociações entre Executivo e Legislativo na prática. Hoje, o debate envolve o que acontece no STF e as táticas que cercam a confirmação, com a conjuntura eleitoral pesando sobre cada decisão.

A leitura entre quem acompanha o tema é que o cenário atual tem também seus desdobramentos dentro da própria corte. Entre os atuais dez ministros, Alexandre de Moraes e Flávio Dino aparecem como contrários à escolha de Messias, enquanto André Mendonça, Kassio Nunes Marques e, mais recentemente, o decano Gilmar Mendes teriam conversado com parlamentares em defesa da aprovação. Desde 2003, quando assumiu o primeiro mandato, o presidente Lula já indicou 11 ministros para o STF, traçando uma trajetória marcada por negociações e ajustes constantes.

No fim das contas, a estratégia indicada pelos interlocutores é manter o tema sob controle, contando com a mobilização por parte de ministros e o apoio de aliados no Senado para atravessar a sabatina. Mas a pergunta que não quer calar é: o que tudo isso muda, na prática, para você, leitor que acompanha o dia a dia da política e dos tribunais?

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Jornalista

André Santos

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