Conflito na Ucrânia completa 4 anos mata milhares e não vislumbra paz

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Guerra na Ucrânia completa 4 anos, acumula milhares de mortos e segue sem perspectiva de acordo de paz

Conflito iniciado pela Rússia em 2022 já soma perdas históricas, enquanto Brasil oscilou entre neutralidade e mediação sob Bolsonaro e Lula

Quase cinco anos após o início da invasão russa, a guerra na Ucrânia se consolidou como um dos conflitos mais letais desde a Segunda Guerra Mundial. O CSIS (Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais) publicou, em janeiro, números que chamam a atenção: o total de baixas no terreno envolve cerca de 1,2 milhão de militares russos que teriam morrido, ficado ferido ou desaparecido, com aproximadamente 325 mil mortes estimadas. Do lado ucraniano, as estimativas apontam ~600 mil baixas, com até 140 mil mortos confirmados. E as vítimas civis? A ONU aponta, desde 2022, por volta de 15 mil mortes, ainda que haja incertezas sobre o total real.

Além dos números, o estudo destaca o alcance do impacto: a ofensiva russa evolui para uma guerra de desgaste, marcada por avanços lentos em várias frentes. Enquanto isso, o custo humano é acompanhado por consequências econômicas relevantes para a Rússia, com sanções internacionais, fuga de investimentos e inflação que chegou a próximo de 10% antes de recuar para 5,6% ao ano. Em resumo, manter uma economia de guerra exigiu sacrifícios que abriram lacunas em setores estratégicos, segundo a avaliação do CSIS.

A posição do Brasil ao longo do conflito tem sido narrada como uma balança entre neutralidade e mediação. No início da invasão, ainda sob o governo de Jair Bolsonaro, o discurso oficial privilegiava a neutralidade. Em junho de 2022, ele reconheceu a dor mundial dos conflitos, mas enfatizou que precisava administrar o país. O então presidente chegou a viajar a Moscou para encontro com Vladimir Putin, em uma visita que recebeu críticas internacionais, principalmente dos EUA. Na ocasião, Bolsonaro defendeu o que chamou de solidariedade à Rússia e ecoou argumentos usados pela própria Moscou para justificar a ofensiva.

A comunidade internacional reagiu de forma incisiva. Enquanto Bolsonaro mantinha um tom de cautela, o presidente ucraniano Zelensky passou a cobrar uma posição mais contundente de Brasília. Na ONU, Bolsonaro voltou a defender uma aproximação que não aceitasse sanções unilaterais, argumentando que essas medidas prejudicavam a recuperação econômica de países vulneráveis, inclusive da própria Europa.

Com a chegada de Lula ao Planalto, em 2023, o tom da política externa brasileira ganhou contornos diferentes, ainda que mantendo a tradição de não alinhamento automático. Lula passou a defender que não há apenas um culpado em uma guerra que envolve responsabilidades de ambas as partes. Em entrevistas no período de campanha, ele destacou que a Ucrânia não poderia ser reduzida a uma narrativa de culpabilidade exclusiva de um líder. A partir de 2023, o Brasil passou a sinalizar uma disposição maior para uma mediação diplomática, sem participação militar direta do país no conflito.

Durante o governo Lula, o Brasil passou a defender uma iniciativa diplomática para encerrar o conflito, com a ideia de um grupo de nações neutras atuando como mediadoras. Em tom de apoio a uma solução política, o presidente sugeriu a criação de um espaço de negociação, ideia que recebeu eco de aliados como Emmanuel Macron e chegou a ser apresentada como um possível “G20 pela paz”. Em maio de 2025, durante uma visita a Moscou, Lula reiterou a posição de buscar uma intervenção diplomática, afirmando que o Brasil é contrário à ocupação territorial de qualquer país e que está disponível para ajudar nas negociações, desde que as duas partes envolvidas assim o desejem.

Além disso, a relação entre Lula e Zelensky foi marcada por idas e vindas: o lado ucraniano, durante o governo anterior, comparou a postura brasileira a uma neutralidade que não atendia aos dilemas locais do conflito. Em algumas ocasiões, Zelensky questionou publicamente a neutralidade de Brasília, lembrando que a guerra não é apenas um duelo entre Rússia e Ucrânia, mas uma agressão contra o povo ucraniano. Ainda que Lula tenha defendido a necessidade de diálogo, as trocas públicas revelaram tensões e desconfianças que acompanharam o percurso diplomático.

Avançando para 2025, houve novos momentos de aproximação entre Brasil e Ucrânia. Em setembro daquele ano, Lula se encontrou com Zelensky em Nova York, reiterando a convicção de que não há solução militar para o conflito e renovando o apoio às iniciativas de diálogo. O governo brasileiro voltou a defender a formação de um que chamaram de “Clube da Paz” — um grupo de países neutros que atuariam como mediadores entre Rússia e Ucrânia. O plenário internacional, segundo o Palácio do Planalto, reconheceu a importância de uma mediação ativa, com o Brasil disposto a ajudar, desde que as partes envolvidas queiram essa participação.

No balanço, a relação Brasil-Ukraine-Rússia ilustra uma trajetória de cautela estratégica, que busca manter a atuação diplomática em um cenário de alta tensão. Enquanto alguns veem a neutralidade como um espaço de atuação possível, outros apontam para a importância de uma mediação proativa que possa estimular uma solução política, mesmo diante de um conflito que já se estende há anos e que — até aqui — permanece sem um desfecho claro.

Para quem acompanha de perto as notícias, fica a pergunta: mas o que isso muda na prática para a vida do leitor comum? A resposta pode residir na continuidade de uma agenda internacional que, embora distante, molda as relações entre grandes potências, o comércio global e as perspectivas de paz. No dia a dia, menos ruído de fronteira não significa menos impacto: energia, preços, investimentos e a resposta de governos locais a crises humanitárias ganham contorno com cada decisão tomada nos foros internacionais.

  • Mortes e feridos: Rússia ~1,2 milhão (mortes, feridos ou desaparecidos); Ucrânia ~600 mil baixas; civis ~15 mil mortos, segundo estimativas da ONU.
  • Economia russa: sanções internacionais, queda de investimentos e inflação que chegou perto de 10%, recuando para cerca de 5,6% ao ano.
  • Posição brasileira: evolução de neutralidade inicial para busca de mediação diplomática; oposição moderada a participação militar direta; defesa de grupos de países neutros para facilitar negociações.
  • Perspectiva de paz: reforço de diálogos, criação de fóruns de negociação e a ideia de um espaço de mediação como forma de reduzir o sofrimento humano e evitar a escalada do conflito.

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Jornalista

Ana Martins

Designer de interiores apaixonada por achados acessíveis. Adora transformar espaços sem estourar o orçamento e compartilhar cada descoberta.

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