Bill Clinton nega envolvimento com crimes de Epstein durante depoimento ao Congresso
O ex-presidente dos EUA afirmou não ter tido conhecimento ou participação nas ações do financista Jeffrey Epstein, durante depoimento prestado sob juramento a uma comissão da Câmara dos Representantes. As declarações integram gravações divulgadas pelo Comitê de Supervisão, controlado pela oposição republicana.
No bastidores de Washington, o depoimento ocorreu em Chappaqua, Nova York, onde Bill Clinton e Hillary Clinton são presença constante há décadas. Enquanto a ex-secretária de Estado foi ouvida na quinta-feira, o ex-presidente respondeu às perguntas na sexta — cada sessão com mais de quatro horas e meia de duração. Questionado diretamente sobre eventuais “contatos sexuais” com menores apresentados por Epstein ou pela cúmplice Ghislaine Maxwell, Clinton foi categórico: negou todas as acusações e disse não ter presenciado conduta criminosa envolvendo o círculo do financista.
Na prática, a narrativa apresentada pelas gravações destacou que, embora os arquivos do DOJ tragam referências a várias personalidades públicas, isso não implica automaticamente envolvimento em crimes. A defesa de Clinton repetiu que, mesmo reconhecendo o alcance do material, ele próprio se afastou de Epstein há mais de uma década, muito antes da morte do financiista, encontrada em sua cela em 2019.
Entre os fios do relato, surgiu uma menção antiga a uma conversa com Donald Trump, situada em 2002 ou 2003, na qual o empresário teria dito que rompeu com Epstein por uma disputa imobiliária. Contudo, anos depois, Trump apresentou uma versão distinta, afirmando ter expulsado Epstein de seu clube Mar‑a‑Lago por comportamento “depravado”. Ainda assim, Clinton e Trump teriam circulado nos mesmos círculos sociais, não apenas em Nova York, mas também no sul da Flórida.
O que chamou atenção foi a suposta discordância envolvendo funcionárias jovens do spa de Mar‑a‑Lago, recrutadas por Epstein sem o consentimento de Trump — entre elas Virginia Giuffre, que na época era menor de idade e se tornou uma das principais denunciantes do financista. Giuffre faleceu em abril de 2025, em um caso oficialmente classificado como suicídio pela autoridades. No dia a dia, isso levanta a curiosidade sobre até que ponto tais relatos ganham relevância em investigações formais.
Hillary Clinton também pediu que o Comitê convide o atual presidente para esclarecer a relação com Epstein. Em sua linha de fala, ela sugeriu que os legisladores questionem diretamente Trump sobre as “dezenas de milhares” de menções ao seu nome nos arquivos divulgados pelo Ministério da Justiça. Ao mesmo tempo, a ex-primeira-dama reiterou que nunca conheceu Epstein e que seu marido não tinha conhecimento dos crimes atribuídos ao financista. Já Bill Clinton reforçou que se afastou de Epstein mais de dez anos antes da morte dele.
Mesmo com a amplitude dos documentos públicos, a reportagem ressalta que a mera presença nos arquivos não implica envolvimento criminal. Tampouco há indícios de que Clinton ou Trump tenham sido formalmente acusados. Desde a divulgação do material, em 30 de janeiro, diversas figuras famosas vêm sendo alvo de questionamentos sobre relações passadas com Epstein, alimentando um debate sobre o que, de fato, pode ou não ser considerado conexão com os fatos investigados.
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