Devemos nos preparar para o pior’, afirma Celso Amorim sobre conflito no Irã
Assessor especial do presidente Lula afirma que há risco do conflito ganhar proporções ainda maiores no Oriente Médio
O embaixador Celso Amorim, que atua como assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), abriu a primeira metade desta semana com um alerta à nação: o Brasil precisa se manter preparado para um cenário mais grave diante da escalada entre Irã, Estados Unidos e Israel no Oriente Médio. Em entrevista à GloboNews, ele destacou que a região vive uma fase de tensões elevadas que, na prática, pode se estender para além das fronteiras conhecidas.
Ninguém é juiz do mundo. Matar um líder de um país que ainda está em exercício é, segundo ele, condenável e inaceitável, e por isso a recomendação é clara: devemos nos preparar para o pior. O tom é de cautela, mas também de responsabilidade — especialmente quando o assunto envolve a segurança regional e o impacto para o Brasil.
No decorrer da conversa, Amorim também revelou que pretende manter um contato telefônico com o presidente Lula ainda nesta segunda-feira, ressaltando que ainda não houve uma conversa aprofundada sobre a crise. No dia a dia, esse tipo de diálogo pode orientar decisões estratégicas e sinalizar como o governo pretende acompanhar os desdobramentos.
Um ponto relevante é o quanto a escalada pode interferir em agendas internacionais: vale a avaliação se o atual cenário pode impactar o encontro previsto entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao longo deste mês. Enquanto isso, a viagem do presidente brasileiro a Washington, prevista para ocorrer entre 15 e 17 de março, ainda não tem confirmação oficial.
Na prática, o governo brasileiro já tem se posicionado em solidariedade aos países atingidos pelos ataques e chamou à suspensão de ações militares na região do Golfo. Em nota do Ministério das Relações Exteriores, o órgão classifica a escalada como uma grave ameaça à paz, reforçando o tom de prudência que marca o momento.
A escalada, por sua vez, elevou as tensões na região, com o fechamento do Estreito de Ormuz e um malogro de consequências que já se refletem em perdas humanas e desdobramentos militares. A ofensiva lançada pelos Estados Unidos e por Israel, segundo as versões oficiais, teve o objetivo de neutralizar o programa nuclear do Irã e responder a ameaças atribuídas ao regime.
Em retaliação, o Irã informou que responderia com mísseis e drones contra Israel e bases norte-americanas em diferentes nações do Oriente Médio. Entre os desdobramentos, houve divulgação de imagens pelo Irã de uma suposta “frota” de drones destinada a ações contra adversários, além de reportagens sobre ataques que atingiram posições estratégicas no território iraniano. Da parte de Washington e de seus aliados, não faltaram relatos de ações militares de alto escalão.
Também houve menção a Trump, que afirmou publicamente que “praticamente tudo foi destruído” no Irã e posicionou a ideia de que ainda é tarde para negociações. No cenário internacional, essas declarações ajudam a moldar a percepção de incerteza, sobretudo para quem acompanha a roleta geopolítica com olhos atentos ao desenrolar dos eventos.
O governo iraniano, por sua vez, reagiu com a divulgação de imagens associadas a momentos de perda humana e a uma resposta que envolve forças centrais do país. Entre os relatos, constam informações sobre o alto escalão militar atingido pela operação e demais figuras importantes que estariam entre as vítimas. Em meio a esse turbilhão, também circulam avaliações sobre o papel histórico do Irã no fornecimento de armamentos para diversos grupos na região e para facções radicais, o que acrescenta uma camada de complexidade ao conflito.
De modo geral, a escalada tem alimentado um debate intenso sobre como manter a estabilidade regional sem abrir caminho para uma escalada ainda maior. No fim das contas, o assunto sobressai como um lembrete de que interesses nacionais, alianças internacionais e a vida de pessoas comuns estão interligados em tempos de crise.