Castro pensa no que dirá a Flávio Bolsonaro após o Carnaval

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O que Castro pretende dizer a Flávio Bolsonaro em conversa após o Carnaval

Números do governo e planejamento para o segundo semestre serão citados pelo governador em primogênito de Jair Bolsonaro

Porque a política não tira folga, o cenário no Rio de Janeiro ganha um novo capítulo logo após o Carnaval. O governador Cláudio Castro (PL) pretende se encontrar com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para discutir a estratégia de sucessão no Palácio Guanabara. Na prática, Castro pretende sustentar que o mandato-tampão comece já em abril com o representante indicado pela Alerj, eleito indiretamente, e que, na sequência, surja um nome do grupo bolsonarista para encarar o prefeito Eduardo Paes nas urnas. Do lado de Flávio, a leitura inicial é outra: ele prefere que o mandate-tampão seja ocupado pelo representante do seu campo político em outubro. Ainda assim, o governador já traz uma série de argumentos para tentar convencê-lo a seguir seus planos.

Castro sinaliza que o caminho do ocupante temporário não será simples, especialmente pela dívida pública do estado e pelos cortes que serão necessários. Por isso, precisa de alguém que conheça a máquina estadual de dentro para atravessar esse turbilhão. Com um déficit estimado em R$ 19 bilhões, o Rio terá de enxugar gastos até o fim do ano para evitar o atraso de salários dos servidores, algo que poderia derrubar os planos eleitorais de todo o grupo, inclusive a própria candidatura de Flávio à Presidência. Para chegar a esse equilíbrio, o governo trabalha com uma rodada de cortes que mira reduzir o déficit para aproximadamente R$ 4 bilhões, valor considerado administrável pelos técnicos.

A conversa entre Castro e Flávio não deverá ficar apenas nas contas. A ala governista também mira ações de curto prazo para o segundo semestre, incluindo a revisão do contrato com a Naturgy Energia e a renegociação da dívida pública, por meio do Propag, como ferramentas para apagar parte do rombo. Além disso, há a possibilidade de reavaliar o calendário de inaugurações de obras classificadas como “pouco essenciais”, que podem gerar custos adicionais.

Entre aliados, a palavra de ordem para Castro é simples: quem promover cortes terá dificuldade de angariar votos. A aposta é que Nicola Miccione, atual secretário da Casa Civil, está bem posicionado para liderar esse ajuste com a necessária experiência, sem depender do desempenho nas urnas, o que permitiria defender os números do governo mesmo em tempos de crise e ataques vindos da campanha de Paes. No fundo, o objetivo é manter o time coeso e preparado para responder aos percalços da conjuntura.

As tratativas também envolvem a linha de sucessão estadual. Castro já sinaliza que deixaria a cadeira de governador em abril para concorrer ao Senado. Enquanto isso, o vice, Thiago Pampolha, foi nomeado conselheiro do TCE-RJ, o que consolidou o presidente da Alerj como um dos nomes de referência na sucessão. Em contrapartida, o comando da Assembleia, Rodrigo Bacellar (União), foi preso no ano passado e, mesmo solto, está afastado por decisão judicial, o que abriu espaço para uma hipótese de eleição indireta pela Alerj.

Não faltam também vozes descontentes dentro do próprio partido. Uma corrente do PL defende que o deputado estadual Douglas Ruas ocupe temporariamente o governo e siga na disputa de outubro, abrindo caminho para o conjunto da legenda competir com chances.

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Jornalista

Mariana Silva

Personal organizer que adora soluções práticas para casa. Especialista em maximizar espaços pequenos com produtos inteligentes.

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