Caos na Venezuela tira jornalistas da folga, aumenta audiência e prova que TV aberta está viva
Cobertura da queda de Nicolás Maduro aponta o caminho para as emissoras tradicionais manterem relevância no mundo digital
Na madrugada de sábado, 3 de dezembro, as emissoras abriram as telas com as primeiras imagens da derrubada de Nicolás Maduro. A perspectiva de intervenção norte-americana deixava o cenário tenso, mas muitos canais não dispunham de roteiro pronto nem de correspondente de plantão em Caracas. Mesmo assim, a cobertura ao vivo permaneceu por várias horas, mantendo o padrão de informação com qualidade para o público.
Jornalistas foram acordados às pressas; outros tiveram folgas canceladas. Âncoras que costumam folgar nos fins de semana, como Renata Vasconcellos e César Tralli, foram escalados para edições especiais. Em comparação ao sábado anterior, o telejornal mais visto da Globo registrou 2 pontos a mais de audiência na Grande São Paulo.
A Record também agiu com rapidez: Roberto Cabrini foi enviado à fronteira entre Venezuela e Colômbia, sinalizando o provável próximo foco da crise. O Domingo Espetacular alcançou a melhor média de audiência em cinco meses. Não faltaram comentários sobre a ausência de repórteres veteranos de guerra, muitos demitidos por cortes de custos, que dificultam a cobertura de conflitos diretos no terreno.
Sem especialistas em campo, a Globo e a GloboNews recorreram ao repórter de política Ricardo Abreu, em Brasília, que acompanhou a movimentação até Pacaraima, na fronteira. O generalista Tiago Eltz também se deslocou para a região entre Venezuela e Colômbia. O tom é de que a situação funciona com tropeços, mas não chega a desabar: cambaleia, mas não cai.
Por outro lado, o texto destaca a evidente decadência da TV aberta frente ao crescimento do streaming e do consumo de conteúdos rápidos em redes sociais, vídeos curtos e YouTube. No entanto, quando o assunto é jornalismo confiável, as emissoras tradicionais ainda levam vantagem. Uma pesquisa conjunta da Ponto Map e da ferramenta de monitoramento digital V-Tracker aponta que a TV aberta é considerada confiável por 69% dos brasileiros, enquanto as redes sociais aparecem com 41%. Esses números refletem o hábito enraizado de ligar a televisão para checar notícias lidas ou ouvidas em outros espaços.
Ainda que haja falhas, o jornalismo dos canais tradicionais surge como o antídoto contra as fake news. A corrida pela TV aberta, impulsionada pela cobertura da queda de Maduro, reforça a convicção de que o futuro do veículo está no jornalismo em tempo real. Em um mundo cada vez mais digital, fragmentado e tomado por manipulação deliberada, as notícias em tempo real tendem a manter a relevância. Nos momentos decisivos, milhões de brasileiros ainda recorrem à televisão aberta para entender o que está acontecendo de verdade.
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