Caminhando para terceira via no PSD, Caiado faz acenos ao bolsonarismo em ato na Paulista
Governador de Goiás voltou a defender anistia geral e fez elogios ao ex-presidente Jair Bolsonaro
Em meio a uma mobilização de tom fortemente bolsonarista pela Avenida Paulista, o governador Ronaldo Caiado (PSD) acabou destoando do viés central do seu próprio partido ao participar do ato realizado no centro de São Paulo neste domingo. O PSD, que hoje conta com três pré-candidatos à Presidência e tenta se manter no centro da política nacional, viu Caiado adotar uma posição iconizante para o segmento que atraiu grande parte dos apoiadores de Jair Bolsonaro.
Durante o discurso, Caiado lançou uma proposta que chamou de essencial para o ano de 2027: anistia plena, geral e irrestrita, prometendo que esse seria o primeiro ato a ser implementado caso o futuro governo tenha o caminho aberto. Além disso, ele exaltou a presença de Bolsonaro e afirmou que o ex-presidente, que enfrenta questões legais, segue com mobilização expressiva junto aos seus seguidores. Em meio às declarações, Caiado ainda citou o movimento Acorda, Brasil e o jovem Nikolas Ferreira como símbolos dessa corrente de apoio.
No tom de quem se aproxima mais da linha de atuação da extrema-direita, o governador de Goiás também reforçou uma defesa contundente de não uso de câmeras pela polícia, defendendo uma visão de segurança pública menos dependente de monitoramento tecnológico. “Eu sou governador de um estado em que a luta é pela proteção da população e pela neutralização da violência, sem abrir mão de ações firmes”, sinalizou Caiado, ao enfatizar que polícia deve agir de forma a preservar a segurança sem depender exclusivamente de dispositivos digitais.
O ato foi organizado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-DF) e reuniu milhares de manifestantes contrários ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e às ações de ministros do Supremo Tribunal Federal. Entre as presenças destacadas, constaram os nomes de Bia Kicis, Gustavo Gayer, Mário Frias, Guilherme Derrite e Sóstenes Cavalcanti, além de Carlos Jordy, todos filiados a diferentes siglas de apoio ao movimento. Também marcaram presença o pastor Silas Malafaia, o próprio Caiado e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, abrindo espaço para um palco de unidos pela pauta conservadora.
Para completar o cenário, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro chegou acompanhado do governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), atual cotado para compor a chapa como vice. Eles chegaram junto de Nikolas Ferreira, que já participou de atos semelhantes em Belo Horizonte e em outras cidades. Ao longo do dia, a movimentação foi repetida em pelo menos 20 locais ao redor do país, incluindo Brasília, Rio de Janeiro e Salvador, reforçando uma onda de manifestações alinhadas a esse polo político.
No fim das contas, a presença de Caiado ao lado de lideranças bolsonaristas reacende o debate sobre onde o PSD quer se posicionar no espectro político. Enquanto a legenda busca manter uma imagem de centro, o episódio alimenta a percepção de que, no terreno prático, diferentes personalidades do organograma partidário podem colaborar com um tom mais combativo e próximo de setores da direita radical. E você, leitor, o que acha que isso muda na prática para a formação de uma possível vice-aliança e para o cenário eleitoral?